São Paulo - O Bradesco, segundo maior banco privado brasileiro, anunciou ontem a compra do Ibi, braço financeiro da rede varejista de origem holandesa C&A e maior emissor de cartões de marca própria do país. O valor da aquisição chegou a R$ 1,4 bilhão e será pago por meio de ações do Bradesco, correspondendo a 1,6% de seu capital.
Trata-se da primeira aquisição do Bradesco após o recente movimento de consolidação do setor, aberto pela compra do Banco Real pelo Santander, no fim de 2007, e depois pela fusão entre Itaú e Unibanco no fim do ano passado.
A aquisição foi ainda a segunda maior investida do Bradesco no mercado de cartões nesta década. Em 2006, o banco comprou as operações brasileiras da American Express, melhorando a sua posição no segmento de alta renda, no qual tinha ficado para trás após o Itaú ter comprado o BankBoston. Com a compra do Ibi, o Bradesco afirma que elevará sua participação no mercado de cartões de 19% para 22%.
Questionado se a compra tinha sido uma resposta às fusões dos bancos concorrentes, Marcelo Noronha, vice-presidente da área de cartões do Bradesco, afirmou que o negócio faz parte de uma estratégia iniciada em 2006 para se consolidar como o maior emissor de cartões do país. "Não tem nada a ver. O Ibi, que a gente sempre namorou à distância, amplia nosso portfolio de distribuição. Vai ao encontro da estratégia do banco de aumentar a presença [no segmento de menor renda]. Não tem nada a ver com outras aquisições. Claro que o Bradesco está sempre olhando as oportunidades de mercado."
Exclusividade
Pelo acordo, o Bradesco fica também com a exclusividade, por 20 anos, do negócio de cartões da C&A e ainda pode utilizar a marca Ibi, que tem presença relevante entre as financeiras de média e baixa renda. O Ibi tem 303 pontos de vendas, entre lojas próprias e postos na rede da C&A. Segundo Noronha, os atuais níveis de inadimplência das carteiras do Ibi estão de acordo com o mercado. Ele não revelou os números.



