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Crescimento

Brasil será a 8.ª maior economia

Levantamento mostra que, até 2030, o país deve ganhar duas posições entre as maiores potências mundiais. China chegará ao segundo lugar bem antes, em 2017, mas seguirá atrás dos Estados Unidos

Previsão de cenário econômico |
Previsão de cenário econômico (Foto: )

O Brasil deve ganhar duas posições no ranking das maiores economias do mundo nas próximas duas décadas, chegando ao oitavo lugar. Até 2030, o Produto Interno Bruto (PIB) do país vai crescer 150% – passando dos US$ 963 bilhões registrados em 2007 para R$ 2,4 trilhões. Os dados, parte do estudo "Brasil Sustentável – Crescimento Econômico e Potencial de Consumo", foram apresentados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a consultoria Ernst & Young, e levam em consideração uma taxa média de crescimento "realista" de 4% ao ano neste período.

"O estudo toma por base um crescimento sustentável, como há muito tempo não se via no país. Não imaginamos que problemas que o Brasil carrega há muitas décadas estarão resolvidos em 2030. Mas consideramos um crescimento realista, factível, com frutos da estabilidade econômica que o país está colhendo", diz o consultor da FGV Projetos, Robson Gonçalves. O PIB per capita, ainda segundo o levantamento, deve dobrar nos próximos 22 anos, passando de US$ 5,092 mil para US$ 10,269 mil.

Em termos mundiais, o crescimento global até 2030 deve estar muito relacionado ao desempenho dos Estados Unidos e dos países emergentes, como China, Índia e Brasil. Mesmo com um crescimento menos acelerado do seu PIB, a economia americana deve continuar sendo a primeira do ranking em 2030. Treze anos antes, em 2017, a China chegará ao segundo lugar, de acordo com o estudo.

"A tendência é de que a diferença entre Estados Unidos e China se torne cada vez menor. Mas a economia americana é intensiva em conhecimento e capital humano, por isso deve continuar na liderança", diz o professor de Economia da UFPR, Marcelo Curado. Para o Brasil, diz o professor, cabe aproveitar as oportunidades criadas pelo expressivo crescimento chinês. "A China tem uma capacidade de produção bastante limitada em relação ao tamanho da sua população. Temos que aproveitar essa demanda por commodities e alimentos." Algo que, até hoje, segundo Curado, não é uma realidade.

O economista-chefe da MB Consultoria, Sérgio Vale, também vê a China seguindo de perto os EUA em 2030, mas acredita que dificilmente ela será efetivamente a líder. "É difícil imaginar um país com um controle político tão grande ser um exemplo."

Para o Brasil, diz Vale, trata-se de "um mundo novo a se explorar". "A cultura ocidental está impregnada no Brasil há muito tempo. Como se dará essa influência oriental na América Latina não se sabe. Como vamos lidar com esse novo mundo oriental ainda é uma incógnita."

Líder regional

Embora o estudo projete um ganho de posições do Brasil entre as economias mundiais, o economista da MB diz que não é possível ver o país como um líder em duas décadas – "a não ser regionalmente, o que já é". Para Vale, há muito o que se resolver internamente antes de almejar um papel de destaque na economia mundial. "Não é sendo líder no agronegócio que essa liderança virá. Mas sim tendo uma evolução educacional e tecnológica extraordinária, coisas que os países que viraram líderes em toda a história fizeram", diz. "Em 2030, o Brasil estará mais rico, sem dúvida, mas ainda será uma mera potência regional."

Consumo

O estudo da FGV e da Ernst & Young também mostra uma elevação do Brasil no ranking dos maiores mercados consumidores do mundo. O país passará da oitava colocação, registrada em 2007, para a quinta colocação em 2030. Nesse período, levando-se em conta a paridade do poder de compra estabelecida no ano passado, com o dólar flutuando entre R$ 1,80 e R$ 2, o poder do mercado doméstico avançará de US$ 1,067 trilhão para US$ 2,507 trilhões.

FGV e Ernst & Young projetam uma significativa mudança de perfil da sociedade brasileira neste período, com o crescimento das classes de renda intermediária, o que deve provocar um estreitamento na pirâmide social. Em valores absolutos, o total de vendas no país passará de R$ 1,41 trilhão em 2007 para R$ 3,30 trilhões em 2030.

Regiões

Na divisão por região, o Sudeste continuará com a maior participação no total de consumo do país – passando de 53,3% em 2007 para 52,5% em 2030. A participação do Sul, segundo o estudo, cairá de 16,4% para 15,4%. Mesmo assim, a região deve crescer 3,5% ao ano, com o potencial de consumo passando de R$ 232 bilhões para R$ 507 bilhões em 22 anos.

O estudo das entidades foi realizado com base no histórico de indicadores econômicos de cem países nos últimos 57 anos. O levantamento divulgado ontem é o segundo de uma série de cinco relatórios com projeções sobre o comportamento nas próximas duas décadas em setores estratégicos da economia – mercado imobiliário, varejo, energia, agroindústria e competitividade industrial.

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