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Economia global

Brics se reúnem em cúpula para reafirmar poder diante do G7

Encontro dos chefes de estado de Brasil, Rússia, Índia e China servirá como contrapeso político à reunião dos sete países mais ricos do mundo, em julho

Moscou - Chefes de Estado e de governo de Brasil, Rússia, Índia e China – que formam o bloco denominado Bric – realizam hoje, em Ecaterimburgo, na Rússia, a primeira reunião de cúpula dos grandes emergentes com dois objetivos precisos. O primeiro é oficial: coordenar ações em áreas como a reforma do sistema financeiro e da governança política mundial. O segundo não foi admitido por nenhum dos líderes reunidos: servir como contrapeso à reunião dos sete países mais ricos do mundo (G7), prevista para 8 a 11 de julho, em Áquila, na Itália.

A cúpula será aberta hoje cedo na terceira maior cidade da Rússia, aos pés dos montes Urais, e terá a presença dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Rússia, Dmitri Medvedev, e da China, Hu Jintao, e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. Será a primeira vez que os líderes dos quatro grandes emergentes se reúnem, oficializando um grupo político cuja origem é econômica e conceitual: criado em 2001 pelo banco americano Goldman Sachs, o acrônimo designa as futuras potências econômicas mundiais.

E é desta forma que os quatro líderes pretendem ser vistos hoje. Representante de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, de 15% do comércio internacional, de 40% da população e de 25% das terras habitáveis do planeta, o grupo deseja pesar mais também no campo político. Daí o jogo de bastidores com o G7 – o clube de industrializados que reúne Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Reino Unido e Itália – expresso em manifestações como a feita pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na última sexta-feira, em Paris: "O G8 (G7 mais a Rússia) morreu", disparou. "Ele não representa mais nada."

Fortalecidos pela retomada econômica, que já se manifesta na China, na Índia e no Brasil, os Brics desejam mais voz em instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. O argumento foi fortalecido pelas recentes contribuições anunciadas pela China – US$ 50 bilhões –, Rússia e Brasil – US$ 10 bilhões cada – ao FMI. Em troca, os emergentes desejam ampliar seu peso político no órgão, antecipando, se possível, sua reforma, prevista para janeiro de 2011, ampliando seus direitos de voto.

Outro tema que gera expectativa internacional são as eventuais discussões sobre a criação de uma moeda de reserva internacional, que substituiria o dólar como divisa de referência. Desde a Cúpula de Londres do G20, em abril, China e Brasil discutem abertamente o tema. Em Ecaterimburgo, contudo, os debates, se acontecerem, serão velados.

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