Ponta Grossa - A Bunge Alimentos encerrou as atividades de uma fábrica que mantinha em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná. A unidade, responsável pelo processamento da soja, estava parada há cerca de um ano. Os 150 funcionários foram comunicados da decisão na manhã de ontem. A empresa estava instalada na cidade havia 36 anos.
A assessoria de imprensa da Bunge informou que 32 funcionários serão mantidos até o encerramento das atividades e 36 estão sendo remanejados para outras empresas parceiras no estado. Os demais, segundo a empresa, "contarão com apoio na recolocação no mercado". A multinacional informa ainda que manterá o plano de saúde dos funcionários por um período de 90 dias após o desligamento definitivo da empresa.
"A situação da indústria moageira é muito complicada. Falamos em safra recorde de soja, mas o que acontece com essa safra? Ela é negociada diretamente com o porto, visando a exportação", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Moageiras e de Óleo Alimentício de Ponta Grossa, José Luís Pitela. "Falta incentivo para que as empresas mantenham suas estruturas funcionando." O sindicalista afirma que a Insol, outra multinacional da agroindústria, ameaça deixar a cidade.
Custo alto
Uma conjunção de fatores levaram ao fechamento da unidade. As instalações, construídas em 1973, exigiam um alto investimento na modernização, e o mercado internacional passou a oferecer melhores preços na soja em grão em comparação com a soja beneficiada. "A política de preços está bem melhor para a soja em grão", lembrou o secretário municipal de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, João Luiz Kovaleski. A guerra fiscal com outros estados também desfavoreceu a manutenção da empresa no estado. "As indústrias permanecem onde têm mais incentivos fiscais", alega Pitela, do sindicato das moageiras.
Conforme Kovaleski, o fechamento da unidade é "lamentável". "Não podemos fazer nada", diz ele, "o governo federal é que deveria impor uma política de valorização da soja beneficiada", considera. Pitela lembra que a decisão da Bunge afeta não somente os 150 funcionários, mas os 750 empregos indiretos gerados pela unidade. "Dentro de poucos meses, as instalações poderão ser usadas para estocagem de grãos, mas futuramente irão virar sucata", afirma.
A Bunge possui mais de 300 instalações em 16 estados brasileiros e emprega mais de 8,5 mil pessoas. "A medida não afetará o atendimento aos clientes. A empresa continua participando ativamente na compra e venda de grãos e mantém suas demais unidades no estado", informou a nota encaminhada ontem à imprensa.



