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Mudança

Caloi vai transferir fábrica para Atibaia e demitir

Mais uma empresa está deixando a capital paulista para fugir de impostos altos e congestionamentos que dificultam o escoamento da produção. Depois de 35 anos em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, a Caloi confirmou hoje aos seus funcionários a transferência para Atibaia, no interior do estado.

Dos 250 trabalhadores, apenas 70 serão transferidos para a nova unidade, que terá 210 funcionários. Dos demitidos, aproximadamente 20 serão convidados para uma fase transitória até o final do ano, para auxiliar no lançamento da nova unidade e na formação de pessoas. A empresa se comprometeu a não demitir ninguém nos próximos 15 dias, durante as negociações que vão estabelecer os benefícios para quem deixar a fábrica.

Para os que têm muitos anos de casa, a Caloi, empresa nacional com 108 anos, disse que vai dar assessoria para realocação no mercado, além de estender o prazo do seguro de saúde e o fornecimento de cestas básicas. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a empresa ofereceu 4 meses de convênio médico e cesta básica aos trabalhadores e se comprometeu a levar para a nova fábrica 30 trabalhadores imediatamente e mais 25 até o fim do ano.

- Pedimos 2 anos de convênio médico e cesta básica, mais 15 salários nominais para os trabalhadores. A empresa se comprometeu a não demitir ninguém por 15 dias, durante as negociações - disse Miguel Eduardo Torres, secretário-geral do sindicato.

Os funcionários fizeram nesta manhã uma manifestação em frente à porta da fábrica, na Avenida Guido Caloi, perto da Avenida Guarapiranga. Eles voltaram depois ao trabalho e esperam novas assembléias do sindicato. A empresa é uma das mais antigas e tradicionais da região. Bem perto, fica a concorrente Monark e empresas de autopeças, como a Rolamentos Fag. Algumas companhias já deixaram a região, para se livrar dos impostos e dos salários mais altos.

Por meio de um comunicado, a Caloi lamentou a transferência e disse que "a mudança para Atibaia foi estratégica, pois possui um posicionamento logístico privilegiado". Segundo a empresa, ao contrário da fábrica de Santo Amaro, que está dentro da cidade de São Paulo, a fábrica de Atibaia está localizada na margem da rodovia Dom Pedro I, conhecido corredor rodoviário com acesso direto às principais estradas do país.

A nova fábrica estará ainda em um raio de 50 a 100 quilômetros do centro de distribuição dos maiores clientes da empresa. A fábrica deve começar as suas operações no início de julho em um condomínio industrial.

Além da produção da linha de bicicletas monomarcha (cerca de 450 mil unidades das linhas infantil e adulto), a nova unidade abrigará o Centro de Distribuição da empresa e todas as áreas sob coordenação de sua diretoria de operações, entre elas as áreas de suprimentos, logística, planejamento, pesquisa, engenharia e desenvolvimento.

Os laboratórios de testes, as equipes de suporte da assistência técnica e serviço de atendimento ao consumidor também serão transferidos para Atibaia. As atividades em Manaus (produção de bicicletas com marcha e de maior valor agregado) e na sede administrativa (áreas administrativa, comercial e marketing) não serão impactadas pelas mudanças em Santo Amaro.

A empresa produz cerca de 800 mil unidades de bicicletas ao ano, das linhas Pro (alta performance, vendidas em lojas especializadas) e Standard (disponíveis no varejo não-especializado).

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