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Crédito

Calote das empresas chega ao nível mais alto em oito anos

Brasília - Depois de subir por oito meses seguidos, a inadimplência dos brasileiros ficou estável em agosto, conforme dados do Banco Central. O resultado foi puxado pela queda no índice para as pessoas físicas, que recuou pelo segundo mês seguido. Essa melhora compensou o aumento na inadimplência das empresas, que chegou ao nível mais alto desde maio de 2001.

São considerados inadimplentes os clientes com empréstimos vencidos há mais de 90 dias. No mês passado, 5,9% do volume de crédito no país estava nessa situação.

De acordo com o BC, o aumento da inadimplência se deve à dificuldade na rolagem das dívidas que venceram desde setembro do ano passado, quando a crise internacional de crédito provocou a paralisação desse mercado no Brasil. Como o crédito para as famílias se normalizou de forma mais rápida do que para as empresas, são essas últimas que ainda sentem os efeitos da crise.

Essa diferença pode ser vista na alta das concessões de novos empréstimos para pessoas físicas. O valor de agosto já está 6% acima da média mensal registrada nos nove primeiros meses de 2008, de acordo com cálculos da Consultoria Tendências, baseados nos números do BC. Nesse caso, o número exclui os efeitos sazonais e a inflação do período.

No caso das empresas, as novas operações de crédito liberadas pelos bancos ainda estão 10% abaixo dessa média. Apesar do dado ainda estar negativo, o economista Bruno Rocha, responsável pelo levantamento, destaca que o percentual de queda estava em 13% até julho.

"O que está faltando para o mercado de crédito sair de fato desse período de crise é melhorar de vez esses indicadores de crédito para pessoas jurídicas."

Segundo o economista, outro número positivo para as empresas é a queda no "spread" bancário – parcela dos juros que embute custos, riscos e lucro dos bancos – nos últimos três meses. Apesar de ter recuado menos de um ponto percentual no período, enquanto o "spread" do juro ao consumidor caiu mais de três pontos, esse indicador mostra uma estabilização em relação ao verificado no início do ano.

A queda do "spread" tem sido um dos principais fatores que ajudaram a reduzir os juros bancários neste ano, ao lado da redução de cinco pontos percentuais promovida pelo BC na taxa básica de juros.

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