A crise dos controladores de vôo, aliada às obras na pista do aeroporto de Congonhas e às chuvas de fevereiro e março, teve um impacto de R$ 110 milhões na receita da Gol Linhas Aéreas no primeiro trimestre deste ano. A explicação é do presidente da empresa, Constantino de Oliveira Jr, que conversou com analistas de mercado e jornalistas em uma conferência pelo telefone.
Ainda assim, a receita líquida da companhia subiu 20,7% no período, de R$ 863 milhões para R$ 1,041 bilhão no período. Mas a empresa teve uma queda de 43% em seu lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, para R$ 91,5 milhões.
De acordo com Constantino, uma das medidas adotadas para contornar a crise foi a redução de tarifas, que ficaram 21,8% mais baratas na média, no confronto com o mesmo trimestre de 2006. Já o Yield (retorno sobre o investimento) recuou 26,4%.
- Os problemas acabaram comprimindo a demanda e permitiram que apenas pessoas mais sensíveis à questão do preço buscassem as aeronaves. Com um ambiente mais estável, haverá espaço para estabilizar a receita e trazer os yields para níveis corretos - disse Constantino.
Ele acrescentou que a Gol pretende contratar, pelo menos, 1.500 funcionários para a Varig até o fim deste ano. A Varig conta atualmente com um quadro de 2 mil pessoas e, nos cálculos da Gol, a Varig poderá ter cerca de 4,5 mil funcionários até o fim de 2008.
Apesar de todas as dificuldades, Constantino destacou que a indústria aérea brasileira teve um dos maiores crescimentos do mundo no primeiro período, de 12%.
Nos três primeiros meses do ano, a Gol registrou 22 novas freqüências de vôo, com uma taxa de ocupação de 70%. Sua participação média no mercado foi de 39% nos vôos domésticos e de 18% em rotas internacionais.
Para o futuro, Constantino destacou algumas "melhorias que estão para acontecer". A meta de contratação de 500 novos controladores de vôo pela Agência Nacional de Aviação Civil, por exemplo, é considerada "mais que suficiente" para atender o setor, segundo o executivo. Ele também destacou os investimentos de R$ 3 bilhões em infra-estrutura aeroportuária até 2010 e as obras em aeroportos brasileiros.



