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Cartão é coisa de jovem. E de idoso

Os consumidores mais novos e os mais velhos vêm puxando o crescimento no uso de cartões de crédito e débito no país. Aumento da renda e do acesso a bancos ajudam a explicar o fenômeno

O aposentado Alexandre Durão: despesas sob controle | Emanuel Durão
O aposentado Alexandre Durão: despesas sob controle (Foto: Emanuel Durão)

Embalado pelo aumento da renda e do consumo, o uso de cartões de crédito e débito vem crescendo acima da média entre os mais jovens e os mais velhos. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostra que os dois "extremos" da população consumidora é que estão fazendo maior uso dos cartões.

Em 2009, 65% dos jovens de 18 a 24 anos tinham pelo menos um cartão. No ano passado, esse porcentual passou para 71%. Entre os com mais de 60 anos, essa proporção passou de 52% para 68%. Nas demais faixas etárias, o avanço está mais tímido – passou de 74% para 76% entre os com idade entre 35 e 44 anos e permaneceu em 67% entre os com entre 45 e 59 anos.

O crescimento da renda vem colocando novos perfis de consumidores no mercado, o que ajuda a explicar porque as duas pontas de faixa etária concentram o aumento no volume de cartões. O avanço da chamada "bancarização" da população também vem influenciando esse movimento. Com conta corrente, o consumidor também passa a ter acesso a cartões de débito e crédito, que em geral são oferecidos pelas instituições financeiras. Além disso, mais estabelecimentos passaram a aceitar esse meio de pagamento.

Levantamento feito pelo instituto Paraná Pesquisas com 420 pessoas entre 2 de 6 de junho na capital mostra que 72% delas passaram a usar mais "os plásticos" nos últimos doze meses como substituição ao dinheiro de papel. Cerca de 22% disseram que adquiriram um novo cartão. Entre os mais jovens, esse porcentual é maior – quase um terço disse que passou a usar um novo cartão.

Comportamento

Para Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, diretor da Paraná Pesquisas, características comportamentais também ajudam a explicar esse movimento. "Temos aqui dois fenômenos. O jovem é deslumbrado com a possibilidade de acesso a crédito, por isso procura mais por esse tipo de serviço. E o idoso, muitas vezes, não sabe dizer não e é convencido mais facilmente a adquirir um cartão de loja ou de banco", lembra. Em Curitiba, 46% da população entre 18 e 24 anos e 56% das pessoas com mais de 60 anos possuem pelo menos um cartão.

Mesmo com a economia praticamente estagnada, o setor de cartões – de débito, crédito e lojas (private label) – faturou R$ 178,5 bilhões no primeiro trimestre, alta de 23% na comparação com igual período do ano passado, segundo levantamento da Abecs. A previsão é de um crescimento de 20% para o ano, para R$ 804,5 bilhões. Na mesma base de comparação, o número de unidades em circulação cresceu 9%, para 704 milhões de cartões no país.

Demografia

Segundo Wagner Sarnelli, sócio diretor da consultoria Data Popular, especializada em consumo, jovens e idosos já representam uma fatia considerável da renda no país e é natural que isso implique também crescimento no uso dos cartões.

"O jovem está entrando no mercado de consumo já com acesso a crédito, mais escolarizado e um cenário de emprego mais favorável, o que facilita o acesso a cartões", arfirma. Já quem tem mais de 60 anos foi jovem em uma época em que havia muito mais dificuldade para acesso a crédito, com hiperinflação e rápida perda de poder de compra. "Agora esse público quer aproveitar o tempo livre para comprar e viajar, por exemplo", diz.

Gasto permitido supera a renda

A estudante Ana Carolina Weber Vasconcelos, de 23 anos, tem cinco cartões – dois de bandeira e três de lojas – que usa para comprar roupas, passagens e fazer supermercado, além de um cartão fidelidade de uma companhia aérea. Com renda de cerca de R$ 2,5 mil, ela, que trabalha como auxiliar operacional, gasta cerca de R$ 500 por mês com as faturas. Juntando todos os cartões, ela tem um limite de crédito de R$ 10 mil, quatro vezes o valor da sua renda.

"Uso para comprar passagens, roupas, mercado e pago contas que não posso pagar no mês e quero que fique para o mês seguinte, como faculdade", diz ela, que admite já ter se enrolado com tanto crédito e estourado o limite dos cartões. Já teve que arcar com juros altos por pagar o valor mínimo do cartão na data do vencimento e já parcelou o valor da fatura, além de pedir a ajuda da mãe para pagar os débitos. "Há um ano entrei em uma bola de neve e tive que fazer um acordo para quitar a fatura", lembra. Ultimamente tenta fazer todas as compras que pode à vista.

Sob controle

O aposentado Alexandre Magno Fmall Durão, de 61 anos, prefere o cartão de débito. Só usa o de crédito para parcelar as compras quando tem certeza de que não há juros. Ele tem seis cartões – três de débito, um de crédito de bandeira e outro de uma rede de supermercados. Chegou a pagar R$ 6 mil em uma fatura de cartão, mas, segundo ele, foi algo atípico – as contas geralmente variam de R$ 800 a R$ 2 mil. Ele diz que nunca estourou o limite e o maior parcelamento foi de uma compra de celular, em quatro vezes.

Colaborou Leticia Leal, especial para a Gazeta do Povo

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