
Navalha afiada, espuma preparada e cliente com o pescoço exposto. O cenário faz lembrar um hábito cultivado apenas por homens mais velhos, mas que se reinventou e, hoje, representa um mercado em franca expansão, o das barbearias. Curitiba ganhou, nos últimos anos, dezenas de comércios do gênero.
A reinvenção das barbearias se explica, segundo empresário e consultores da área, pelo crescimento da vaidade masculina e pela oportunidade de o cliente ser atendido em um espaço que o deixa mais à vontade, sem os traços femininos que caracterizam os salões de beleza tradicionais. E, de fato, frequentar esses espaços se tornou uma experiência totalmente diferente da habitual.
Para atrair a clientela, as novas barbearias oferecem, além dos serviços estéticos, diversos agrados aos clientes, como possibilidade de tomar cerveja, fumar charuto ou jogar uma partida de pôquer. "Queremos que o cliente fique pelo menos três horas", conta Rosalvo Gizzi Júnior, 29 anos, dono do Rei da Barba, localizado no bairro Batel.
A decoração do ambiente também é importante. Da escolha da cor das paredes às telas para assistir futebol, tudo é pensado para que o cliente se sinta confortável. "Prefiro barbearias assim porque é um ambiente mais masculino", diz o juiz Anderson Fogaça, 36 anos.
O empresário diz que a ideia de abrir o negócio surgiu após a constatação de que, às vésperas do casamento, enquanto as mulheres se arrumavam, os homens tinham de ficar em casa, sem opção. Hoje, o Rei da Barba promove dias especiais para noivos, que podem levar padrinhos, familiares e amigos, usando um pacote específico de serviços.
A barbearia tem dez profissionais: cinco que cortam cabelo e fazem barba e cinco para manicure, massagem e depilação. O corte custa R$ 46 e a barba, R$ 38. O Rei da Barba atende uma média 60 clientes por dia e espera, em um ano e meio, elevar o número para 300.



