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Região metropolitana

Cidades da RMC travam guerra fiscal para atrair investimentos

Curitiba – Municípios da região metropolitana de Curitiba (RMC), a área mais industrializada do Paraná, travam uma espécie de batalha para atrair investimentos de empresas. Dois deles, Araucária e São José dos Pinhais, contam com o atrativo de economias fortes, com infra-estrutura avançada e diversidade de negócios já instalados para continuar na frente. Correndo por fora, cidades como Colombo, Piraquara e Campo Largo buscam estratégias próprias, que incluem seduzir firmas que funcionam nos concorrentes.

Colombo é uma das cidades mais arrojadas na disputa por pretendentes com algum dinheiro em caixa e disposição para montar fábricas, barracões ou escritórios. Neste ano, oito empresas disseram "sim" e aceitaram viver no município – com a vantagem de receber alguns agrados. Na prefeitura, funcionários foram orientados a dar suporte para que a tramitação de toda a papelada ocorra da forma mais rápida possível. Quem comprar terreno para produzir tem isenção no ITBI – imposto cobrado na transferência de imóveis. Isenção do IPTU por cinco anos também é oferecida a companhias que gerarem empregos e o Imposto Sobre Serviços (ISS) caiu de 5% para 3%.

"Na verdade, todos os municípios têm as mesmas armas para disputar investimentos. Nada do que oferecemos é novidade nas prefeituras e é tudo controlado pela Lei de Responsabilidade Fiscal", diz o secretário de Indústria e Comércio de Colombo, Geraldo Vieira Balam. Os diferencias são outros: tratamento profissional, agilidade nas respostas para consultas e planos de infra-estrutura e educação. Têm mais chances as cidades que têm catálogos de imóveis para uso comercial, bons contatos no setor empresarial e foco em áreas com potencial.

Para aproveitar melhor seus dotes, alguns municípios se concentram na atração de setores em que vêem mais chances de sucesso. Colombo, apesar de ter recebido investimentos de áreas diferentes, quer se tornar um pólo da indústria madeireira. "Queremos aproveitar a proximidade de Tunas do Paraná, onde há reservas de madeira, para receber fábricas de móveis e compensados", diz Balam. Duas empresas do setor já estão montando suas unidades.

Em Piraquara, a meta é montar um projeto para a instalação de um pólo de confecções. A cidade recebeu algumas novas empresas nos últimos anos, mas o crescimento do setor esbarra em problemas ambientais. Conhecida como "Berço das Águas", Piraquara abriga uma grande área de mananciais, onde há restrições severas para a implantação de novos empreendimentos. "Nossa única alternativa é buscar indústrias limpas. Por isso escolhemos elaborar um plano para atrair confecções", diz o secretário de Indústria e Comércio, João Carlos Nogueira.

Além de limpo, o ramo do vestuário traz a vantagem de ser intensivo no uso de mão-de-obra. Com a exigência de ser qualificada. Piraquara deve firmar uma parceria com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), o Senai e o Sindicato das Indústrias do Vestuário do Paraná (Sindivest) para treinar moradores de bairros de baixa renda e para fazer contatos com empresários do setor. "Estudamos dar apoio fiscal, encontrar terrenos para as fábricas e providenciar a infra-estrutura", completa Nogueira. Como o projeto terá um impacto social grande, a prefeitura tentará conseguir financiamentos com o governo do estado e com bancos de fomento.

A qualidade dos investimentos é outra preocupação das políticas de atração. O município de Pinhais, que tem uma área pequena se comparado aos vizinhos, estuda incentivar empresas que preservem áreas naturais e fundos de vales. "Também queremos apoiar aquelas que contribuam socialmente para o município", diz Hermano de Oliveira, diretor do departamento de desenvolvimento urbano e industrial.

Segundo ele, a cidade é bastante procurada por estar próxima de Curitiba, mas o espaço para abrigar novos empreendimentos é limitado. "Recebemos visitas das empresas, queremos que elas invistam. Mas temos condições de oferecer diferenciais para aquelas que contribuem mais para o desenvolvimento do município", completa.

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