
Após o leilão realizado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as quatro grandes companhias de telefonia móvel do país Oi, TIM, Vivo e Claro estão aptas a operar a rede 4G em todo o território brasileiro. A tecnologia trará internet super-rápida para o celular dos consumidores. Em média, a conexão chega a até dez vezes a velocidade da rede 3G.
Claro e Vivo mostraram maior capacidade de investimento, arrematando os dois principais lotes da faixa de 2,5 Ghz, frequência que será destinada ao sistema 4G no Brasil. Elas pagaram R$ 804 milhões e R$ 1,05 bilhão, respectivamente, pelas licenças de 20 MHz + 20MHz. TIM e Oi compraram lotes de menor potência, de 10 MHz + 10MHz, e pagaram R$ 340 milhões e R$ 331 milhões. O dinheiro arrecadado vai para o Tesouro Nacional.
A diferença entre a banda de 20 MHz e de 10 MHz está relacionada principalmente à capacidade de volume de tráfego. Em tese, a primeira comportaria o dobro de usuários da segunda, mas outras variáveis, como o número de estações radiobase (antenas) e a tecnologia usada, também influenciam na qualidade e capacidade do serviço.
O leilão vinculou a frequência do 4G com a obrigatoriedade de levar internet à zona rural. A região do interior do Paraná será administrada pela TIM.
Ágio
Em 2007, no leilão da rede 3G, o ágio na venda de algumas licenças chegou a ultrapassar 200%. Desta vez o governo optou por um modelo de leilão com metas de investimento e abrangência, o que encareceu os custos para as operadoras e reduziu os ganhos para os cofres públicos. O maior ágio foi registrado no lote 3, disputado por Oi e Vivo e vencido pela última, com valor 66% acima do mínimo estipulado pelo governo. O ágio do lote conquistado pela Claro foi de 34%, pela TIM de 7,9% e pela Oi de 5%.
"A Claro pagou mais barato [que a Vivo], mas ficou com uma faixa em que vai gastar mais para implementar a frequência de 450 MHz [destinada à internet nas zonas rurais]. Uma coisa compensou a outra", afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, especializada em telecomunicações. Segundo ele, já era esperado que Claro e Vivo conquistassem as duas faixas mais caras. "São as mesmas empresas que estão investindo mais na rede 3G+ [uma evolução ao sistema 3G]. No caso da TIM e da Oi, está claro que elas têm uma limitação de recursos para investimentos quando comparadas a Claro e Vivo", diz.
Cronograma
O início da operação 4G no Brasil cumprirá, por motivos puramente promocionais, um calendário atrelado aos grandes eventos esportivos dos próximos anos. Até o fim de 2016, todas as cidades com mais de 100 mil habitantes terão de contar com o serviço. As primeiras a receberem a tecnologia são as sedes da Copa das Confederações, até abril do ano que vem. Depois vêm as sedes da Copa do Mundo, com prazo até dezembro de 2013 (veja o cronograma completo no gráfico).
A oferta da internet rural também possui um cronograma. Em 31 de dezembro de 2015, todas as áreas rurais distantes até 30 km da sede do município terão de contar com serviços de dados e voz.



