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Bebidas

Coca-Cola precisa abandonar Nestea para manter a Leão

Multinacional norte-americana já concordou em terminar parceria com Nestlé. Exigência foi única ressalva do Cade para que empresa continue controlando a fabricante paranaense de chás

Fábrica da Matte Leão em Curitiba: Coca-Cola vai transferir produção para Fazenda Rio Grande | Antônio Costa/Gazeta do Povo
Fábrica da Matte Leão em Curitiba: Coca-Cola vai transferir produção para Fazenda Rio Grande (Foto: Antônio Costa/Gazeta do Povo)

Brasília - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem, por unanimidade, a compra da fabricante paranaense de bebidas Leão Júnior pela Coca-Cola. Para que o negócio seja efetivado, no entanto, a multinacional norte-americana terá de se desfazer da marca Nestea de chás prontos. Nesse segmento de bebidas não alcoólicas, o Cade considerou que há sério risco à concorrência, devido ao fato de as marcas Nestea e Matte Leão serem duas das líderes do mercado.

Com essa saída, o Cade acredita que o mercado de chás prontos se manterá em competição. Se as marcas Nestea e Matte Leão permanecessem em poder da Coca-Cola, o conselho entende que se criaria um monopólio ou, no máximo, um duopólio no setor, uma vez que a única outra marca com possibilidade de disputar o mercado é a Lipton, da Pepsico – controlada pela AmBev. "Essas características praticamente inviabilizam a entrada de novos competidores. Dessa forma a venda de uma das marcas já conhecidas é o que permite solucionar as preocupações do Cade com a concorrência", disse o conselheiro Carlos Ragazzo.

Ragazzo também esclareceu que a Coca-Cola já concordou em pôr fim à associação (joint venture) que tinha desde 2001 com a Nestlé para produzir e comercializar os chás Nestea no Brasil. Agora a multinacional suíça terá de optar em manter sozinha a marca no país ou buscar outro parceiro para se associar.

Histórico

A venda da Leão Júnior para a Coca-Cola ocorreu em março de 2007. O valor do negócio não foi anunciado oficialmente, mas chegou-se a falar na época que os norte-americanos teriam desembolsado R$ 300 milhões pela fabricante do Matte Leão.

A análise da operação pelo Cade foi iniciada em outubro do ano passado, logo após ela ter sido aprovada pela Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda. O voto do relator, Paulo Furquim, já havia sido pela aprovação com a mesma restrição relacionada à marca Nestea.

A Leão Júnior foi fundada em 1901, em Curitiba. Em 2006, último ano de operação independente, a empresa havia faturado R$ 158,9 milhões, em um crescimento de 18,2%. Atualmente, a Coca-Cola está transferindo a produção da antiga fábrica no bairro Rebouças, em Curitiba, para uma nova unidade, em Fazenda Rio Grande, na região metropolitana da capital.

Antes de fechar a compra da Leão, a Coca-Cola já tinha adquirido a fábrica de sucos brasileira Mais e a mexicana Del Valle, operação que ainda depende da aprovação por órgãos reguladores no Brasil e no México.

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