
O navio Nord Discovery, de bandeira panamenha, está fundeado a 500 metros do trapiche do Santuário de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, depois de ter batido em uma pedra no fundo de um canal de acesso ao porto. O acidente ocorreu na tarde de 13 dezembro, mas só veio a público ontem. A embarcação está carregada com 28 mil toneladas de fertilizante proveniente do Catar. De acordo com informações da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), um outro navio foi atracado no berço e as operações no Porto são realizadas normalmente desde a colisão. Fontes ligadas a área portuária queixam-se de que o caso está sendo tratado com pouca transparência, tendo em vista os riscos econômicos e ambientais envolvidos.
A Capitania dos Portos abriu inquérito para apurar as responsabilidades do acidente. De acordo com o órgão, o prazo para averiguação é de 90 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo prazo. Enquanto não houver uma solução para o problema o navio não pode atracar para descarregar. A Appa abriu sindicância para averiguar a rota utilizada pelo navio no ponto onde houve a colisão. A empresa Coral sub, que fez a inspeção do navio após o acidente sugeriu que o reparo estimado em 40 dias seja realizado com o navio descarregado.
A Capitania dos Portos não quis informar quem era o prático que estava a frente do navio os práticos são profissionais responsáveis por conduzir embarcações até os berços de atracação. O cargueiro chegou a ficar inclinado devido à água do mar que entrava no casco. A Appa confirmou a situação e informou que "o acidente atingiu três tanques do lastro do navio, deixando-o adernado a boroeste, o que impossibilitou a continuidade das manobras da atracação". Os rasgos profundos na parte inferior direta são os que mais preocupam. A autarquia informou ainda que tomou todas as medidas cabíveis e que equipes de emergência estão monitorando a embarcação para garantir que não haja nenhum incidente e que não houve vazamento de óleo.
Prejuízos
O navio estava sendo operado pela operadora portuária Harbon e o agente é a empresa Orion. O prejuízo estimado pelos dias que o navio vai ficar parado gira em torno de R$ 30 milhões. Caso a capitania dos Portos prorrogue o prazo da investigação, as perdas podem chegar a R$ 60 milhões. Acidentes desse gênero mexem com toda a comunidade portuária, pois podem provocar aumentos de seguros que mexem no bolso de toda a cadeia, inclusive nos produtores.



