Um empresário, conhecido meu, sempre diz que o mercado está carente de pessoas competentes. Ele acredita e propaga que os "profissionais de hoje já não são como eram antes", pois acredita que a característica da competência foi, há muito, deturpada pela sociedade atual. O pensamento deste empresário, embora simplista e pessimista, me fez pensar se a competência foi mesmo esquecida, ou transformada em outra característica, ainda por ser catalogada. Então, mesmo discordando da opinião deste executivo, não pude evitar de remoer essa idéia e, sem programar, fiz algumas ligações ou comparações entre o conceito competência e a atitude dos profissionais de hoje.
De acordo com a definição do dicionário, competência é a "soma de conhecimentos ou de habilidades". Pois bem, um profissional que não domina nem a teoria nem a prática de uma função, mas administra bem as expectativas dos chefes com qualidades comportamentais e de relacionamento interpessoal, pode ser considerado competente?
Ainda segundo o dicionário, competente é aquele "indivíduo que possui capacidade de expressar um juízo de valor sobre algo a respeito de que é versado". Assim, o que poderíamos dizer daqueles executivos que não conseguem demonstrar um afastamento saudável de decisões no trabalho e tomam atitudes baseados somente na emoção, na preferência pessoal, na explosão do momento?
"Competente é aquele que tem capacidade para realizar, resolver determinada coisa", diz o Houaiss. Podemos, então, considerar competentes aqueles profissionais que se escondem atrás da burocracia imposta pelo sistema das empresas para não produzir, executar ou finalizar uma tarefa no prazo determinado?
E, após analisar as definições do dicionário, fiz ainda outros questionamentos: é competente aquele profissional que não consegue trabalhar em equipe, que centraliza e esconde informações, mesmo que apresente resultados ao chefe e receba elogios? É competente aquele empresário que explora o talento de colaboradores e subordinados, sem dar o crédito e o reconhecimento devido, sem distribuir os lucros obtidos com o esforço de todos, mesmo que o balanço ao final do período seja positivo e extremamente lucrativo? E quanto às empresas que investem em sua imagem, no conceito de sua marca, a ponto de serem reconhecidas e admiradas pelo mercado, mas que não se preocupam com o meio ambiente, ou com a comunidade onde atuam? E, ainda, podemos considerar competentes aqueles executivos que mentem para todos: clientes, parceiros e subordinados, com o objetivo de persuadir, adular e convencer pra benefício próprio, mesmo que o objetivo de conquistar a confiança desses públicos seja atingido?
Por incrível que possa parecer, a resposta para essas perguntas não é tão óbvia, uma vez que o mercado considera algumas dessas atitudes plausíveis e eficientes, sobretudo quando visa somente o resultado final e não demonstra preocupação com os meios utilizados.
Então, cheguei à conclusão que o significado de competência, realmente, modificou-se ao longo dos tempos. Não para algo melhor, ou pior, mas para algo mais imediatista, dinâmico e comercial. Digo isso porque a sociedade atual valoriza o efeito pontual e negligencia a análise a longo prazo, a transparência acima de tudo.
O componente supervalorizado, hoje, é a visibilidade da tarefa e não a qualidade desta. Talvez por isso aquele empresário conhecido meu considere que o perfil dos profissionais se modificou. Não porque, de fato, as pessoas tenham deixado de ser competentes, de entregar os resultados esperados. Mas pela maneira que os profissionais escolhem para entregar estes mesmos resultados.
E será que a sociedade espera que os profissionais voltem a ter a "competência de ontem"? Ou será que a "competência de hoje" mudou o seu significado para ser aceita pelo mercado? São questionamentos que cada um de nós terá que responder, para encontrar seu próprio estilo de competência.
Escola e Futebol
O Grupo Banrisul realiza, desde 2004, o projeto "Criança no Esporte", que visa a realizar ações voltadas ao esporte e à cultura com meninos em situação de vulnerabilidade social, matriculados na rede de ensino regular do Rio Grande do Sul.
O objetivo da iniciativa é proporcionar para os meninos, por meio do esporte e da cultura, uma oportunidade de adotar hábitos e atitudes que propiciem um desenvolvimento saudável.
Atualmente, cerca de 240 meninos, entre 7 e 14 anos, participam das aulas de futebol oferecidas no projeto, que, além de incentivar a prática esportiva, colabora com a educação das crianças, pois o bom desempenho escolar é um dado relevante para a permanência no projeto.
O "Criança no Esporte" é realizado em parceria com o Sport Club Internacional, Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, Esporte Clube Juventude e SER Caxias do Sul; as Secretarias da Educação, do Trabalho, Cidadania e Ação Social; e Fundação O Pão dos Pobres de Santo Antônio.



