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Capital Humano

“Marrento”

Lúcio sempre teve personalidade. Quando bebê, gritava para obter aquilo que desejava. Na infância, era o líder nas brincaderias e ganhava no grito as discussões da adolescência. Seu gênio forte era conhecido pela família e amigos, que o admiravam por demonstrar determinação e garra para conquistar tudo que queria.

Na faculdade e nas empresas onde estagiou, Lúcio deixou impressões marcantes, pois jamais deixava de exprimir sua opinião. Ele tomava partido sobre tudo e nunca ficou "em cima do muro".

Alguns diziam que ele não iria longe, pois a cultura popular reza que as pessoas com temperamento muito forte quebram a cara muito cedo. Mas ele ignorava os conselhos e continuava a construir sua vida.

Tornou-se capitão do time de futebol da faculdade e era chamado de "marrento", em alusão a outro jogador famoso, consagrado por sua personalidade intempestiva. E, apesar do apelido provocativo, venceu todos os campeonatos que participou e conquistou a simpatia dos companheiros de bola.

A namorada, que mais tarde se tornaria sua esposa, foi igualmente vencida pela insistência de Lúcio. Ela, inicialmente, não demonstrou interesse algum pelo rapaz e recusou-se a prestar qualquer atenção a ele. No entanto, ao invés de desistir, a dificuldade o motivou a tentar novas formas de abordagem. Então, enviou-lhe flores e balões, espalhou faixas com declarações de amor e dedicou-lhe músicas na programação de uma rádio conhecida. E, quando a moça tentou agradecer-lhe pelas demonstrações de afeto, Lúcio a ignorou, exatamente como ela havia feito. Se passaram alguns meses até que os dois voltassem a conversar e, em seguida, iniciar um namoro, que mais tarde se desdobrou em um casamento. Lúcio continua sendo "marrento" com sua esposa, mas mantém com ela uma relação de cumplicidade e parceria.

No trabalho ele também favoreceu-se com seu temperamento potente. Quando decidiu que iria trabalhar em uma multinacional do setor de automóveis, enviou seu currículo ao Departamento de Recursos Humanos, mas não esperou sentado que o chamassem. Foi até a empresa e esperou que o atendessem. E, como ninguém o recebeu na primeira tentativa, Lúcio insistiu outras três vezes, até que a gerente do departamento resolvesse recebê-lo. Na entrevista, ele foi extremamente sincero e direto e transmitiu muita confiança. Afinal, ele era uma pessoa segura de si, desde pequeno. O encontro foi tão positivo que, mesmo sem ter vagas disponíveis no momento, a gerente guardou o contato de Lúcio para chamá-lo na primeira oportunidade. E foi exatamente o que ela fez.

Então, Lúcio conseguiu ser contratado pela empresa para a qual havia planejado trabalhar e decidiu que subiria na hierarquia da organização, de qualquer forma. Dedicou-se e demonstrou conhecimento em todas as oportunidades que teve e, quando estas chances não surgiam, Lúcio as criava. Não havia obstáculo que ele não teimasse em ultrapasar.

Em certa ocasião, a equipe de trabalho da qual fazia parte não havia chegado a uma solução satisfatória para determinado problema e decidiu entregar os pontos. Ele, no entanto, teimou que chegaria a um resultado melhor do que aquele apresentado em grupo e insistiu sozinho na busca pela dissolução do problema. Após um mês inteiro de trabalho extra, conseguiu uma solução surpreendente. A iniciativa lhe rendeu uma promoção imediata. E essa postura, de birra e teimosia, o levou ainda mais para o alto. Não havia negativa que o fizesse parar, e a cada "não" que recebia, tornava-se mais forte e perseverante. Dobrava chefes, clientes e fornecedores. Era conhecido como o marrento da empresa, mas era também visto como um profissional dedicado e competente. Longos anos se passaram e ele continuou a crescer. Assumiu a presidência da organização e atingiu a realização profissional que tantou sonhou. Hoje, ele incetiva profissionais marrentos como ele, pois acredita que excesso de personalidade ajuda, quando combinado com muita competência e trabalho duro.

Um temperamento forte pode ser bastante útil para organizações mais agressivas, que buscam resultados rápidos e grandiosos. Nem sempre, as pessoas de personalidade afável e gentil conseguem motivar e liderar pessoas. Em alguns casos, são os profissionais objetivos e assertivos que conseguem os melhores resultados. A questão é que não há uma personalidade melhor, ou pior, para o mercado. Há espaço para todos os tipos de pessoa, contanto que sejam dedicadas e perseverantes.

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Formando educadores

A Fundação DPaschoal, braço de responsabilidade social da empresa automobilística DPaschoal, realiza o projeto Academia Educar, que visa formar jovens protagonistas de transformação educacional em seu meio. Núcleos de Cidadania foram criados em 22 escolas públicas de Campinas com o intuito de formar jovens capazes de repassar conhecimento. A meta do projeto é que, através de reforço escolar oferecido pelos alunos participantes, todas as crianças das escolas beneficiadas saibam ler e escrever com 8 anos de idade. O grande diferencial deste projeto é que o jovem que se destaca durante o reforço escolar recebe um treinamento e é convidado a continuar no projeto como educador da turma seguinte. Em 17 anos do projeto mais de 1.500 jovens já receberam formação para atuarem como educadores em suas escolas.

Esta coluna é publicada todos os domingos. O espaço é destinado a empresas que queiram divulgar suas ações na gestão de pessoas e projetos na área social, bem como àquelas que queiram dividir suas experiências profissionais. A publicação é gratuita. As histórias publicadas são baseadas em fatos reais. O autor, no entanto, reserva-se o direito de acrescentar a elas elementos ficcionais com o intuito de enriquecê-las. Currículos para www.debernt.com.br. Contato: Bekup Comunicação, fone (41)3352-0110.

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