Não há no momento grandes bate-estacas disponíveis no Rio. A obra da siderúrgica CSA ThyssenKrupp, em Santa Cruz, está ocupando todos. Com isso, a Petrobras remanejou o cronograma das obras civis da sua refinaria petroquímica em Itaboraí, concentrando-se agora na terraplenagem, na engenharia básica e na encomenda de equipamentos no exterior.
Também não existem tratores, motoniveladoras e caminhões disponíveis para grandes obras de terraplenagem, pois a Petrobras está construindo simultaneamente outra refinaria, em Suape (Pernambuco).
A área que abrigará o futuro complexo petroquímico de Itaboraí equivale a sete vezes o tamanho da atual refinaria de Duque de Caxias (Reduc). Mas dois terços dela serão reflorestados e somente um terço abrigará as instalações industriais, cujo projeto já prevê uma duplicação em cinco anos, de modo a processar 250 mil barris de petróleo pesado por dia, procedentes dos campos gigantes de Marlim (Bacia de Campos). Em 2013, a nova refinaria estará destilando 150 mil barris/dia.
O Comperj, como é conhecido hoje o complexo petroquímico de Itaboraí, já está empregando 1.500 pessoas nas obras de terraplenagem, número que chegará a 3.500 no fim do ano. Essa fase deve durar 18 meses. A montagem da refinaria petroquímica deverá envolver 18 mil pessoas. Trata-se do maior investimento da Petrobras em uma unidade industrial.
Se 10% das empresas que produzem algum tipo de plástico no Brasil instalarem filiais nas proximidades do complexo, o empreendimento terá capacidade de gerar 200 mil empregos no total. E mesmo em uma hipótese pessimista, a geração esperada de empregos diretos e indiretos será da ordem de 150 mil.
Capitalização
Títulos de capitalização são investimento ou não? O presidente da Brasilcap, Márcio Lobão, acha que a melhor definição seria a palavra oportunidade. O principal atrativo da capitalização continua sendo o sorteio, que permite o resgate antecipado dos títulos ou o pagamento de diferentes tipos de prêmios aos portadores desses papéis.
A Brasilcap, uma associação do Banco do Brasil com os grupos Icatu Hartford, Sul América e Aliança da Bahia, lidera o mercado com 28% de participação (em segundo vem o Bradesco e em terceiro o Itaú).
As empresas devolvem aos não sorteados todo ou parte do dinheiro aplicado, geralmente corrigido pela TR, que não acompanha exatamente a inflação. A probabilidade do título ser sorteado é maior que a de um bilhete de loteria, com a vantagem de devolução de parte ou da totalidade do que foi aplicado.
Lobão diz que o principal problema do setor é a comunicação. Quem adquire um título de capitalização precisa ser informado exatamente sobre o que está pagando.
Crise
O epicentro da crise no mercado financeiro americano continua sendo os chamados empréstimos hipotecários subprime, pois, enquanto os preços dos imóveis não se recuperarem lá, as pessoas que receberam esses financiamentos, comprometendo-se a pagar taxas de juros elevadas para os padrões dos Estados Unidos só conseguem se livrar das dívidas devolvendo para os bancos as casas que compraram.
Diferentemente do Brasil, nos Estados Unidos é, ou ao menos era, possível financiar integralmente o valor do imóvel. Houve quem ainda fez uma segunda hipoteca, pois depois da compra da casa o imóvel se valorizou e o banco ofereceu mais dinheiro, já que tinha como garantia um bem que a cada dia valia mais.
Então, os devedores subprime adquiriram patrimônio sem precisar de qualquer poupança prévia. Não meteram a mão no bolso, e até levaram uns trocados junto com a casa nova.
Agora, com essas dívidas superando o valor do imóvel hipotecado, a saída para os devedores tem sido atrasar as prestações até que suas casas sejam retomadas pelos financiadores. As prestações pagas anteriormente passam a corresponder a um aluguel barato da própria casa.
O problema é que, enquanto esse processo de devolução não for interrompido, os preços dos imóveis tenderão a cair, pela pressão de venda por parte dos bancos que retomaram as casas e tentam se desfazer delas novamente para se manterem líquidos, ou seja, com dinheiro em caixa, mesmo que registrem perdas na transação.
Mas a queda dos preços induz mais pessoas a se livrarem das dívidas hipotecárias, realimentando o círculo vicioso.
As autoridades monetárias americanas têm manifestado grande preocupação diante dessa conjuntura, pois tal círculo vicioso se assemelha um pouco ao que teve origem no mercado de ações, em 1929, e foi o estopim da depressão dos anos 30.
Interromper esse círculo de queda de preços de imóveis-inadimplência-devolução das casas-e nova queda de preços é fundamental para que a economia americana se recupere. No entanto, como fazer isso quando à volta há uma série de outras ameaças (encarecimento dos alimentos e da energia empurrando a inflação para um patamar elevado)?
Não há solução fácil para essa crise, o que tem deixado os mercados acionários em agonia permanente, ora em baixa acentuada, ora em alta.



