
A costa oeste dos Estados Unidos já foi o centro de Hollywood. Por alguns anos, diversos filmes exploraram o cenário no estilo que ficou conhecido no Brasil como "Faroeste", os clássicos bang-bangs. Deste tema surgiram grandes filmes de excelentes diretores, como John Ford e Howard Hawks. Os quadrinhos também contaram boas histórias da luta contra os índios nas edições de Tex Willer, Tenente Blueberry e Lucky Luke. Nos games, contudo, ainda se espera "o jogo" sobre o tema.
Sunset Riders, Outlaws e Desperados: wanted dead or alive são alguns dos poucos títulos que trouxeram o tema da colonização americana de uma forma mais elaborada para os videogames. Na Curitiba do começo dos anos 1990, o fliperama Mad Dog McCree fez um certo sucesso. O jogador pegava um joystick em formato de um revólver Colt 44 e ficava na frente de um telão tentando acertar os bandidos que cruzassem seu caminho. O objetivo era encontrar o prefeito que havia sido sequestrado. Todos estes exemplos, porém, ficaram bem distante do que podemos chamar de uma obra indispensável.
As produtoras Techland e a Ubisoft lançaram três anos atrás uma primeira tentativa de mudar este cenário. Call of Juarez, um jogo de tiro em primeira pessoa, foi bem recebido pela crítica, mas ainda faltava alguma coisa. No mês passado, foi feita uma segunda aposta, com o lançamento de Bound in Blood, uma "prequela" da história original.
Call of Juarez: Bound in Blood, disponível para PC, Xbox 360 e Playstation 3, conta as desventuras dos irmãos McCall durante a Guerra Civil Americana (1861-1865). Em busca de um tesouro asteca, Ray e Thomas decidem desertar do exército dos Confederados, que defendia a separação do Sul país e a manutenção da escravidão, e partem rumo ao México. Além de se livrar dos soldados, os dois precisam se defender de índios apache, xerifes locais e outros "fora-da-lei". Tudo para tentar recuperar o velho rancho da família. Ou seja, não vai faltar motivo para usar um vasto arsenal de pistolas, espingardas, dinamites e muita munição. Para completar, uma moçoila entra na história e rouba o coração dos irmãos.
Em Call of Juarez: Bound in Blood, pode-se escolher com qual dos dois irmãos jogar. Teoricamente, o enredo não muda muito. A jogabilidade, no entanto, muda bastante. Thomas, mais ágil e silencioso, é especialista em movimentos furtivos e assassinatos mais elaborados e que não chamam tanto a atenção. Também tem mais habilidade com facas e flechas. Já Ray, mais lento e forte, tem mais resistência ao ser alvejado e pode usar a força bruta para passar por obstáculos.
Para aumentar o clima de velho oeste, os produtores incluíram diversos minigames entre os momentos de ação desenfreada, no qual o objetivo é atirar em todos que aparecem na tela. Nessas pausas aparecem boas ideias. A melhor delas é o duelo, em que é preciso concentração para acertar a cabeça do inimigo antes de levar uma bala na testa. Outro efeito que diferencia o jogo dos demais é chamado de "concentração". Quando há muitos adversários na tela o jogador pode apertar um botão para ver tudo em câmera lenta para facilitar a mira e matar vários deles em série.
Nos primeiros minutos com o controle na mão, o jogador ficará um pouco desconfortável com as péssimas interpretações e dublagens, no melhor estilo novela mexicana. É um choque inicial. Toda a artificialidade da trama e os defeitos cênicos vão desaparecendo aos poucos entre um tiroteio e outro. Com o tempo, o jogo fica coeso e se torna uma aventura bem atípica. No bom sentido.
O jogo explora bem nuances exclusivas das narrativas dos games. A atuação e a história não são necessariamente o que tornam um título realmente bom, como acontece no cinema. A possibilidade de assumir o protagonismo da ação, contudo, acaba gerando sensações adversas e tão catárticas quanto. É o que acontece quando o jogador se vê tendo que montar um cavalo, navegar com canoas pelos rios ou explorar vagões de trens num vasto cenário desertificado. É como voltar a ser criança por alguns minutos e brincar de índio. Por mais irreal que seja, há sim um sentimento de interatividade e imersão que não pode ser encontrado nos outros meios. O gênero ainda precisa de um título divisor de águas, mas já dá para sentir o gostinho de ser um pistoleiro por um dia.
* * * * * * * *
Monstros e mídias
Lojas online
Um dos maiores gurus do mundo dos jogos manifestou recentemente sua descrença com o formato de distribuição digital de jogos. Shigeru Miyamoto, cabeça criadora da série Mario Bros, Donkey Kong e Legend of Zelda, disse ao site San Jose Mercury-News que ainda se sente mais confortável com a mídia física. Recentemente, a Sony anunciou que abandonaria os cartuchos para o videogame portátil PSP, que daqui uns meses só receberá novos jogos através do sistema de download. A Microsoft também segue a linha do "fim da mídia" e aposta cada vez mais na sua rede exclusiva Live. "O fato de não precisar gastar dinheiro com embalagem é muito bom. Para os desenvolvedores, porém, não está mudando a quantia envolvida. Eu sou um daqueles caras que, mesmo tendo todas as músicas no iTunes, ainda quer um CD", explicou.
Nota máxima
Existem algumas publicações que viram referência para a indústria. E existe a revista japonesa Famitsu, há tempos o grande modelo para as próprias publicações. Isso justifica em parte a vendagem espetacular do novo jogo da Capcom, Monster Hunter 3 (foto 2), exclusivo para Wii. MH3 conseguiu vender quais 600 mil cópias em apenas dois dias após a revista avaliar o jogo com a nota máxima, 40 pontos. Este é o segundo lançamento do ano com tal pontuação o outro foi Dragon Quest IX, para Nintendo DS. O jogo, terceira melhor estreia na história do Wii, só deve chegar ao ocidente no primeiro trimestre de 2010.




