Às vezes pegamo-nos dizendo que algumas pessoas do nosso convívio não são éticas. Aliás, referimo-nos frequentemente aos políticos como profissionais antiéticos. Mas será que nós mesmos somos realmente tão éticos assim, ao ponto de poder tranquilamente atirar pedras nos telhados dos outros, ou temos o telhado de vidro? Primeiramente, precisamos entender o que significa a palavra ética.
Ética é proveniente do grego ethos que quer dizer modo de ser, caráter. Ou seja, trocando em miúdos, para uma pessoa ser considerada ética ela deve, acima de tudo, possuir um bom caráter e ser exemplo em seu modo de ser. Tem a ver com moralidade, afinal, uma pessoa com boa índole preza pelos bons costumes e pretende "andar na linha" sempre que possível.
Tenho plena consciência de que não é tão simples assim ser certinho o tempo todo, afinal tentações nos surgem a todo o momento. Porém acredito que é possível fazer a coisa certa se entendermos o final do processo. O que quero dizer com isso é que o caminho tortuoso pode ser o mais fácil (e na maioria das vezes ele é), mas, quando conseguimos atingir o sucesso através do procedimento mais longo, porém mais correto, essa conquista se torna muito mais prazerosa e duradoura.
Aliás, a falta de ética está nas atitudes mínimas. Por exemplo, quando um office-boy fura a fila do banco para conseguir fazer seu trabalho de forma mais ágil, na empresa certamente o acharão mais competente, o que não ameniza o erro dele passar na frente de pessoas que tinham tanta pressa quanto ele. Outro exemplo que parece bobo é de pessoas que pegam para si pequenos objetos, como canetas e lápis, julgando serem artefatos de pequena importância ou valor. Não importa se aquela caneta custou dez centavos de real, mas se ela não é sua, você não pode pegar sem pedir.
Tenho certeza de que algumas pessoas podem estar me considerando exagerado. Mas não sou! Para tudo tem um começo e quem começa furando uma fila, lá na frente pode fazer coisas muito maiores e piores. Aliás, é importante ressaltar que ninguém nasce bom ou mal, ético ou antiético. Isso não é da natureza humana. Trata-se da personalidade, ou seja, é lapidada de acordo com os ensinamentos dos pais e parentes próximos quando criança. Da mesma forma, um indivíduo que cresce dentro dos padrões ideais de comportamento pode, depois de certa idade, adquirir más condutas através do que observa no ambiente e sociedade em que está inserido. E o pior, há fatores que influenciam pessoas propensas a exercer procedimentos considerados ruins como, por exemplo, a não-punição àqueles que andam fora da lei.
Paro aqui para fazer uma ressalva. Ética não é sinônimo e nem está diretamente ligado à lei, apesar de os códigos e normas estipulados no Brasil e no mundo usarem a ética como princípios básicos. Não é à toa que atos ilícitos são permeados de condutas extremamente antiéticas. Por isso algumas pessoas acabam tomando como normais certos atos abusivos que, infelizmente, não são corrigidos.
Trazendo para o mundo corporativo, então, temos "pratos cheios" de atitudes antiéticas para contar. É muito comum conhecermos histórias de profissionais que não conseguiram resistir à tentações. Sabe aquele seu colega que olha para as pernas da secretária todas as vezes que ela se levanta para ir ao banheiro? Ele, com certeza, não pode ser considerado exemplo de ética. Ou então aquele seu antigo chefe que subornou o fiscal para não ser multado por estar fora das normas estipuladas pelo sindicato. Lembra do seu colega chato que toda vez que passava na sua mesa, pedia emprestado o grampeador, caneta, borracha etc. e nunca devolvia? Você realmente acha que ele era uma pessoa esquecida?! Concordo que pode até ser que, vez ou outra, ele tenha se esquecido. Porém não acredito que seja sempre assim.
É certo que, cada vez mais, as pessoas buscam seu espaço, seja na empresa, no mercado de trabalho ou no mundo. Porém as proporções de condutas amorais crescem assustadoramente a cada dia. Se começássemos fazendo a nossa parte, quem sabe conseguiríamos mobilizar um bom número de pessoas em prol de sermos mais honestos uns com os outros e, consequentemente, mais honestos com nós mesmos? Quem perde com a desonestidade é o próprio indivíduo. Basta ver as manchetes dos jornais. São novas CPIs que aparecem uma atrás da outra. As pessoas parecem ficar desnorteadas com a possibilidade de tirar proveito seja lá do que for. E o pior... Na maioria das vezes, os atos antiéticos acontecem em função da busca desesperada por dinheiro. São pessoas enriquecendo à custa de muita falcatrua.
Mas não se assuste. O que é errado, uma hora vem à tona e, exatamente, por isso, reforço que é muito mais sólida uma conquista baseada em honestidade do que aquela com alicerces construídos à base de muita tramoia.
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Teste
Seja sincero, marque aquelas afirmações pelas quais você já passou:
1. ( ) É segunda-feira e sempre temos muitos assuntos interessantes para comentar sobre o fim de semana, por isso aproveito para fazer uma reunião no cafezinho para contar as novidades.
2. ( ) No trabalho, procuro manter um clima amigável com colegas e clientes através de um tratamento mais informal.
3. ( ) Como trabalho muito, utilizo o e-mail, fone e equipamentos (como impressoras e máquinas para fotocópias) da empresa para resolver assuntos pessoais.
4. ( ) Já me peguei discutindo problemas pessoais por telefone na empresa.
5. ( ) Costumo fazer comentários sobre a empresa, colegas e chefia com algum colega de trabalho mais próximo para desestressar.
6. ( ) Adoro saber as novidades dos bastidores da empresa.
7. ( ) Tenho colegas de trabalho que não aguento nem "olhar na cara", por isso não falo nunca com essa pessoa.
8. ( ) Já vivi situações onde deixei de assumir algum erro que cometi, mesmo sendo de pouca importância.
9. ( ) Não vejo o menor problema de contar o que acontece em minha empresa para minha (meu) esposa(o), pois considero isso uma forma de desabafo das pressões do dia a dia.
10. ( ) Procuro alimentar uma relação de proximidade com a minha chefia imediata, desta forma acredito que posso obter maiores vantagens no trabalho.
Quem já não esteve em situações semelhantes e talvez até agora não tenha percebido como antiéticas. Por isso se você se percebeu nessas situações, fique alerta e comece a mudar suas atitudes pelo seu próprio bem dentro da organização.



