Como falei em minha última coluna, no domingo passado, o preconceito no ambiente de trabalho é algo muito mais comum do que podemos imaginar e, acredite, Elizabeth, a moça que falei no artigo, não foi contratada por André simplesmente por possuir uma deficiência física.
Durante a semana, pessoas vieram me solicitar que abordasse aqui alguns casos de preconceito por qual passam. Confesso, tinham alguns que eu nem imaginava que pudessem acontecer de fato, como o preconceito com loiras, por exemplo. A minha intenção aqui, entretanto, é adverti-los pelos perigos que rondam qualquer tipo de discriminação.
Veja, uma pessoa não deixa de ser competente pela cor de seus cabelos ou de sua pele. Muito menos pelas suas crenças quanto à religião, política ou opção sexual. Competência se refere à capacidade de uma pessoa desempenhar determinada tarefa e/ou função e isso nada tem a ver com essas questões que citei anteriormente.
A verdade é que o ser humano já possui por natureza uma tendência a prejulgar os acontecimentos, coisas ou pessoas, de acordo com sua experiência ou vivência. Entretanto, muitos desses pré julgamentos são permeados de outros preconceitos, o que acaba gerando uma bola de neve. É fato que há por aí muitas campanhas, como o movimento GLS, ou mesmo o dia internacional da consciência negra. Não quero aproveitar o meu espaço para defender nenhum tipo de movimento ou dizer por que eles merecem nosso respeito. Em nossa vida pessoal nem sempre somos exemplos de humanismo e acabamos, vez ou outra, cometendo alguns atos discriminatórios. Entretanto, o que defendo aqui é a obrigação que todos nós temos de respeitar as opções ou peculiaridades de cada um, principalmente, dentro do nosso ambiente de trabalho.
Escolhi a história de Elizabeth para ilustrar o tema no domingo porque o caso dela não foi uma escolha pessoal e sim uma situação que a vida lhe impôs. E mesmo que fosse uma escolha, não há porque deixar de contratá-la (ou qualquer outra pessoa que prejulgamos diferentes de nós) por causa de suas particularidades.
O principal foco do meu trabalho é a seleção de profissionais para as outras empresas. Já imaginou se eu deixasse de apresentar um excelente profissional a um cliente por causa de alguma característica que foge dos parâmetros idealizados pela sociedade?! Isto seria inaceitável. Todos somos livres para ir e vir, e uma deficiência física ou uma ideologia particular não podem interferir em nossas capacidades comportamentais e, principalmente, técnicas e intelectuais.
Conheço histórias de empresários que foram processados por tratarem certas particularidades de seus funcionários de forma vexatória. A história da "loira burra", por exemplo, foi um mito popular criado há alguns anos que diz que toda loira possui capacidades inferiores às morenas, e até hoje me pergunto de onde foi que tiraram essa ideia. Conheço excelentes profissionais loiras e tenho certeza de que a cor do cabelo de ninguém indica o quão inteligente ela é. O mesmo vale para pessoas negras. Quem foi que disse que eles são menos capazes que os brancos? Pelo contrário, se for uma questão de constituição do DNA, já foi provado que os negros possuem uma série de habilidades (principalmente as físicas) a mais que o DNA de uma pessoa branca. Porém a cultura brasileira, vinda da escravidão, insiste em diminuí-los em tudo, principalmente, no que diz respeito a mercado de trabalho. Eu poderia, inclusive, entrar em méritos mais polêmicos, como as quotas para negros em universidades, mas não é a minha intenção. Prefiro me restringir ao que tange às minhas competências e envolver apenas as questões sobre o mercado de trabalho.
Existem situações que , infelizmente, ainda não conseguimos mudar. Como exemplo disso, posso citar o fato de as mulheres possuírem salários muito inferiores aos dos homens, mesmo ocupando cargos equivalentes. Isso vem da cultura altamente machistas que dizia que a mulher deveria ficar em casa cuidando dos filhos enquanto os homens garantiam o sustento da família. Como foi assim durante muito tempo, quando a mulher deu entrada no mercado de trabalho, acabou ocupando cargos mais operacionais e, até hoje, quando chega a postos mais estratégicos, tendem a ganhar menos do que os homens. Exatamente por isso, há empresas que ainda insistem em não contratar mulheres para ocupar seus cargos mais altos. É ou não é, de certa forma, um ato discriminatório? Eu sou suspeito para falar, pois grande parte dos profissionais que trabalham comigo é de mulheres, e todas, altamente competentes.
Sinto-me na obrigação de defender qualquer tipo de diferença, pois sei que o bom profissional é traçado por altas doses de vontade de crescer, visão de mercado, crescimento intelectual (através de especializações etc), desenvolvimento de habilidades e, principalmente, por suas competências comportamentais: capacidade de liderança, relacionamento interpessoal, visão sistêmica etc. É ignorância pensar que um profissional, para ser excelente, depende de sua escolha religiosa ou sexual, de seu peso, aparência, sexo, idade, situação socioeconômica ou raça.
Falo isso, principalmente, para gestores que definem qual funcionário entra ou não em sua empresa, mas estas dicas são muito relevantes para qualquer pessoa que corre o risco de julgar e discriminar um colega de trabalho por suas peculiaridades.
Porém, olhando pelo outro lado da moeda, preciso salientar uma questão importante. Há profissionais que se descuidam com a vestimenta e higiene quando vão trabalhar. Veja, quando trabalhamos, representamos a empresa quando nos comunicamos com clientes e fornecedores. Se não nos apresentarmos de forma agradável, com roupas limpas, bem passadas e condizentes com o local de trabalho, ou então sem a barba feita (no caso dos homens), unha bem cuidada ou banho tomado, passamos a impressão de que a empresa também é tão desleixada quanto a sua aparência. Cuide-se para que o seu chefe não precise lhe chamar a atenção para esses detalhes. Desleixo é uma questão pela qual nenhuma pessoa deveria passar, muito menos no horário e ambiente de trabalho. E, de quebra, ainda corre o risco de ser discriminado por uma questão que poderia ser evitada.
Não perca na próxima sexta-feira, no Bom Dia Paraná, um assunto muito interessante: Os médicos, professores e deputados, e o voto de pobreza. Quer entender um pouco melhor, então não perca!



