É muito comum em nosso cotidiano ouvirmos as pessoas falando algum tipo de expressão em inglês. Já não nos é estranho ouvir alguém dizer que vai a um happy hour, ao shopping, ou comprar um novo notebook. Muitas dessas expressões já foram incorporadas ao vocabulário dos brasileiros, em especial, nos ambientes empresariais. Nas multinacionais, obviamente, mas também nas empresas nacionais. E não é por menos, as línguas não são mais "territorizadas". Todo o processo de globalização faz com que hoje tenhamos acesso às mais variadas informações e conteúdos nesse idioma. Muitas de nossas referências e de práticas corporativas vêm de fora, assim como programas de computador e outras tecnologias em geral.
E não há problema algum nisso. Irritar-se e negar as expressões estrangeiras abolindo-as do seu vocabulário pessoal, realmente não faz o menor sentido. Ignorar essas tendências idiomáticas seria como nadar contra a maré. O problema, na realidade, reside no "deslumbre corporativo" que se estabelece sobre o uso dessas expressões. O inglês já é uma exigência inegável para o sucesso profissional. Desta forma, em nome do status que esse conhecimento proporciona, muitos profissionais se tornam incapazes de concluir uma frase sem utilizar uma expressão da língua inglesa, como se aquelas palavras fossem completamente intraduzíveis.
Esse exagero pode ter como consequência muito ruído na troca de informações. O interlocutor pode não compreender e, por vergonha ou insegurança de ser excluído do meio em que está inserido, não perguntar o que se quis dizer. Ou pior, para se valorizar profissionalmente, o indivíduo utiliza um termo com o qual não está familiarizado, usando-o inadequadamente (como aqueles artifícios de valorização profissional que alguns se utilizam para embasar seus argumentos, do tipo "tal coisa é comprovada cientificamente", entre outras máximas mas esse é um capítulo à parte). Se o indivíduo estiver conversando com alguém que entenda menos que ele sobre o assunto ou sobre o próprio idioma, a atitude pode até passar despercebida, mas se por acaso o ouvinte tiver mais conhecimentos acerca do tema, será uma saia-justa e tanto.
Esse é o momento de se ponderar até onde vai a real necessidade do uso dessas palavras e onde começa o ridículo. Esse discernimento e bom-senso de quando e como utilizar alguma expressão, buscando a assertividade da comunicação essencial em todos os ambientes organizacionais faz toda a diferença entre um e outro profissional.
Recentemente foi aprovada uma lei onde o uso de expressões estrangeiras em publicidade fica proibido. Não sou a favor e nem contra e já explico o porquê. Sei que essa proibição não influenciará na valorização da língua pátria, pois, mesmo não estando escrito em nenhum outdoor (fora da porta?), a tendência é que utilizemos cada vez mais outros idiomas em nosso dia-dia, da porta pra dentro. A não ser que nos multe dentro das organizações também, quando usarmos tais expressões. Brincadeiras à parte, como disse anteriormente, há situações que requerem seu uso e não há mais como voltar atrás. O segmento de tecnologia da informação, por exemplo, é rico em expressões norteamericanas. Há casos, inclusive, de profissionais que utilizam o que chamo de VVP, Vocabulário de Valorização Profissional, ou seja, recheiam suas frases de expressões de conhecimento peculiar de certo segmento para conferir se o interlocutor também é detentor de tais conhecimentos.
Não concordo com o uso exacerbado de expressões estrangeiras, mas em alguns casos seu uso é saudável, até porque se brigamos por um mundo globalizado, precisamos conhecer outras línguas e culturas. O perigoso disso tudo é o ruído causado em reuniões e conversas por ai a fora, afinal, não é todo mundo que conhece e domina todas as expressões utilizadas atualmente nas empresas. Recomendo seu uso consciente.
Agora sim, o que considero o fim da picada é a mania que os profissionais de hoje têm de abreviar tudo. Siglas e mais siglas estampam as apresentações em reuniões. Outro dia um funcionário meu comentou que precisávamos fazer um FUP com o cliente. Fiquei sem entender, mas pelo contexto identifiquei que o FUP nada mais era que a abreviação de Follow Up (acompanhamento). Não bastasse a expressão americanizada, a utilização dela agora é em abreviação?!!!
A minha defesa vem da seguinte forma: utilizem as palavras que acharem necessárias, mas a máxima que "menos é mais" sempre funciona quando nos referimos à comunicação. A simplicidade na forma de falar contará sempre a seu favor, já o oposto, nem sempre.
Não perca na próxima sexta-feira, 31 de julho, no Bom Dia Paraná, a participação semanal de Bernt Entschev onde ele falará sobre Etiqueta Empresarial.
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TESTE
Complete as frases abaixo com a palavra ou expressão com a qual você se sente mais à vontade:
1. Nossa empresa necessita de novos colaboradores. Vou solicitar ao RH a contratação de uma empresa de ______________ para realizar este trabalho.
a) Seleção
b) Headhunting
2. Estou correndo com esse projeto, pois meu ____________ termina esta semana.
a) Prazo
b) Dead line
3. Este mês estamos trabalhando duro na elaboração do ______________ da empresa.
a) Plano de negócios
b) Business plan
4. Preciso dos dados do PCP para que possamos _________________ o processo de compra de matéria-prima.
a) Iniciar
b) Startar
5. Estamos adotando ações de treinamento para melhoria do(a) _________________ de nossos colaboradores
a) Desempenho
b) Performance
6. Através das informações obtidas através de nossa área de _________________ estamos conseguindo gerar novos negócios.
a) Inteligência de Negócio
b) Business Intelligence
7. Para reduzir custos teremos que adotar o processo de _______________ dos processos que não são atividades fins de nosso negócio.
a) Terceirização
b) Outsourcing
8. A equipe de vendas da nossa unidade ficou em primeiro lugar no (a) _______________ em resultados de toda empresa.
a) Classificação
b) Ranking
9. Ao ler seu relatório _____________ as informações que achei irrelevantes.
a) Apaguei
b) Deletei
10. Preciso de um profissional com bom(boa) ____________ técnico(a) para a realização deste projeto.
a) Experiência
b) Expertise
O uso de palavras estrangeiras é comum no nosso dia a dia, mas verifique se você não está exagerando na dose. Você pode não ser compreendido ao transmitir sua mensagem.



