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Comércio clandestino de gás em Londrina leva riscos ao consumidor

Dossiê com denúncias elaborado pelo Núcleo Setorial dos Entregadores de Gás será entregue ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Civil em Londrina

Nos bairros de Londrina, é comum encontrar motociclistas transportando botijões de maneira irregular | Roberto Custódio/JL
Nos bairros de Londrina, é comum encontrar motociclistas transportando botijões de maneira irregular (Foto: Roberto Custódio/JL)

A falta de fiscalização por parte dos órgãos competentes incentiva a venda clandestina e o transporte irregular de gás de cozinha em Londrina. Sem ter de arcar com todas as normas e regulamentações, as empresas que atuam no "mercado negro" vendem os botijões por um preço mais baixo, atraindo consumidores e gerando concorrência desleal. Para combater a prática, que gera riscos ao consumidor, o Núcleo Setorial dos Entregadores de Gás da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) finaliza um dossiê com denúncias, que será entregue ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Civil.

Uma das irregularidades constatadas pelo núcleo é o transporte de gás de cozinha por motocicletas sem as carretinhas específicas para este fim (confira os riscos no box nesta página). A proibição está na resolução 365/10 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Em Londrina, a fiscalização caberia à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), órgão já procurado pelo núcleo. "No ano passado, um dos membros ligou lá para tirar algumas dúvidas e ver se poderia ser feita uma fiscalização. Mas, infelizmente, foi maltratado pela pessoa com quem conversou", revelou a consultora empresarial Sheila Dal-Ry Issa.

Procurada, a companhia alegou que não há uma lei municipal que regulamenta o cadastro de veículos que transportam os botijões. Um projeto de lei proposto pela Câmara Municipal, que prevê essa regulamentação, está em análise pelo setor jurídico da CMTU. Sobre a fiscalização de trânsito, a companhia garantiu que, quando identificados pelos agentes, os condutores dessas motocicletas em situação irregular são multados.

Concorrência desleal

Entre os encargos trabalhistas a serem pagos pelos empresários do setor está o adicional de periculosidade - 30% sobre os salários de todos os trabalhadores. "Quem trabalha de modo irregular não tem esse gasto e trabalha com um preço final menor", apontou o dono de uma distribuidora de gás de cozinha, Carlos Alberto Paralego.

A diferença de preço constatado pelo núcleo é significativa. Para que o empresário legalizado tenha uma margem de lucro considerável, o preço médio do botijão de 13 quilos deveria ser de R$ 60, mas, na prática, é um pouco menor, em torno de R$ 45, segundo Sheila. "[Em paralelo] Temos denúncias de revendas de gás clandestinas por R$ 28."

Clandestinos ‘invisíveis’

A distribuidora de Paralego foi multada uma vez por uma força-tarefa formada por representantes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e de outros órgãos. Entre os mais de 50 itens verificados estava a maneira como devem abrir os portões do local que dá acesso aos botijões nos estabelecimentos. "Meus portões abriam para dentro apenas. A norma é que abram para dentro e para fora. Fui multado em R$ 20 mil", lembrou. O mesmo rigor, apontou, não se aplica aos clandestinos. Por não estarem registrados junto aos órgãos fiscalizadores, acabam se tornando "invisíveis" aos olhos da lei.

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