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Comércio do PR acelera recuperação e cresce 4,5%

Varejo começa a compensar prejuízo acumulado durante 2 safras agrícolas frustradas

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Vídeo (Foto: RPC TV)

As vendas do varejo paranaense cresceram 4,5% em abril em relação ao mês anterior, depois de caírem 1,9% em fevereiro e ficarem estáveis em março. No mesmo período, a médica nacional de crescimento foi de 0,4%. Na comparação com abril de 2006, o incremento do comércio paranaense foi de 5% – abaixo da média do país, de 7,5%, mas considerado bom pelos analistas. "O crescimento é sinal de recuperação, depois da crise da agricultura e das exportações", diz Nilo Lopes de Macedo, analista do IBGE. Para ele, outro dado positivo é que o avanço de 5% em abril ocorreu sobre um aumento de 6,14% registrado no mesmo mês de 2006, que por sua vez sucedeu um recuo de 3,41% em abril de 2005.

No acumulado de 2007, os destaques do varejo paranaense foram os equipamentos de escritório e informática, com crescimento de 33,8%, e móveis e eletrodomésticos (+10,6%). No comércio varejista ampliado, a venda de veículos cresceu 19,4%, enquanto o setor de materiais de construção subiu 21,1%.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que atribuiu o desempenho positivo ao aumento do acesso ao crédito e do poder de compra do consumidor.

Para Carlos Cleto, professor de macroeconomia da Unifae, a desvalorização do dólar foi a principal responsável pelo bom desempenho dos equipamentos de informática, pois barateou os produtos que têm componentes importados. "Pelo mesmo motivo, o câmbio também teve efeito sobre a venda de eletrodomésticos", acrescenta Cleto.

Márcio Pauliki, diretor da rede paranaense MM-Mercadomóveis, com 85 lojas no estado, confirma a tendência. "Em volume de vendas, nosso crescimento no ano é de 75%. Mas como os produtos estão mais baratos, o faturamento avançou menos, cerca de 30%", conta Pauliki. "Um ano atrás, um computador saía por R$ 2,2 mil. Hoje, custa R$ 900." A Casas Bahia, maior rede varejista do país, também está crescendo, embora a taxas mais modestas: o avanço de janeiro a maio foi de 14,5%, informou a empresa.

Desaceleração

O comércio varejista brasileiro avançou 0,4% em abril em relação a março, completando quatro meses seguidos de crescimento. Na comparação com abril de 2006, o aumento foi de 7,5% e, nos quatro primeiros meses do ano, as vendas do varejo acumulam expansão de 9,2%.

Embora o crescimento tenha sido o quarto consecutivo, o avanço de 0,4% sobre março representa uma desaceleração: no mês anterior, o aumento havia sido de 1,1%. "É natural uma acomodação", avalia Nilo Lopes de Macedo, analista de comércio do IBGE. "Além disso, quando a classe média ultrapassa um pouco os limites em um mês, restringe as compras no mês seguinte, o que pode ter ocorrido de março para abril."

Ampliado

De acordo com o IBGE, as vendas do "comércio varejista ampliado" – que, além dos demais setores, inclui veículos e materiais de construção – estão crescendo mais rápido que o varejo convencional. Na comparação de abril com o mesmo mês do ano passado, o ampliado avançou 14,9%, frente aos 7,5% do convencional. No acumulado de janeiro a abril, o aumento foi de 12,6% e 9,2%, respectivamente. O instituto avalia que o desempenho dos veículos é fruto da redução dos juros e da ampliação dos prazos de financiamento, enquanto a expansão dos materiais de construção reflete as condições favoráveis da economia e o incentivo governamental à construção civil.

Para Otávio Aidar, economista da consultoria Rosenberg & Associados, o crescimento mais forte do varejo ampliado é conseqüência da melhora da renda do consumidor. "Conforme a economia melhora e ele se sente mais confortável em seu emprego, tende a adquirir produtos mais caros e de prestações mais longas, como veículos e imóveis, e a reduzir um pouco o consumo dos outros bens."

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