Ano de Copa do Mundo é um ano diferente para o brasileiro. Até a parcela da população que não gosta de futebol se deixa contagiar, cedo ou tarde, pela expectativa de mais um título mundial. Para o varejo, a regra é parecida: mesmo os comerciantes que vendem produtos que aparentemente não têm nada a ver com o esporte vão tentar, em breve, pegar uma carona no otimismo dos segmentos mais especializados. Mas, para estes últimos, o apito inicial das vendas já foi dado, a quase três meses do jogo de abertura do mundial. Que o digam os segmentos de eletroeletrônicos televisões, principalmente e artigos esportivos.
"A venda de camisetas verde-amarelas e kits infantis está 30% maior que o normal", diz Eliane Leão, gerente da loja Trio de Ferro do PolloShop. Caroline Botelho, gerente da filial da Centauro do ParkShopping Barigüi, está ainda mais entusiasmada: o faturamento total da loja cresceu 40% em relação ao mesmo período do ano passado. O grande responsável por esse desempenho é o setor de camisetas e bolas de futebol. "Recebemos de 15 a 20 camisetas oficiais da seleção brasileira todos os dias, e praticamente todas são vendidas. Normalmente, vendíamos oito", diz Caroline.
Nesse ritmo, estima a gerente, os uniformes oficiais deverão estar esgotados em meados de maio, pois a rede já formou todo o estoque para a Copa. Entre os maiores compradores, estão empresas que pretendem dar bolas e camisetas de brinde para os clientes. Segundo Caroline, uma madeireira adquiriu recentemente 360 unidades do antigo uniforme da seleção para esse fim.
Como de costume, o brasileiro também está aproveitando a proximidade do mundial de futebol para trocar de tevê. Afinal, não dá para perder os melhores lances por causa de um aparelho que já não funciona tão bem como na época de Romário, Dunga e companhia. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), o setor deve vender 10,5 milhões de televisões este ano. Algo como 20 aparelhos por minuto, volume 16% superior ao do ano passado.
"Já notamos um aumento de 5% a 6% nas vendas de televisões grandes e de tela plana", diz Valdomiro Hafemann, diretor corporativo das Lojas Salfer. A rede MercadoMóveis tem vendido, na soma de suas 60 lojas, duas ou três televisões com tela plana ou de plasma por dia. "É algo que não acontecia um ano atrás", conta o diretor da rede, Márcio Pauliki. Os dois executivos prevêem que, a partir de maio, as vendas de televisões devam superar em 30% ou 40% o volume de negócios da mesma época do ano passado.
De acordo com as estimativas da Eletros, o único eletroeletrônico que deve vencer a tevê neste ano é o DVD a associação estima que serão comercializadas 12,4 milhões de unidades em 2006, ou seja, 65% a mais que no ano passado. É verdade que esse produto já vem embalado por um processo de grande popularização, mas a Copa do Mundo também terá sua parte nesse incremento.
"Quem tem o costume de convidar amigos para ver os jogos pode querer mostrar uma casa mais bonita, mais equipada. Por isso, compra a tevê e aproveita para melhorar o resto também", explica o consultor de varejo Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. Ou seja, o reaparecimento de propagandas com o mote "copa, sala e cozinha" é uma questão de semanas. "O consumidor compra uma tevê e imagina que ela ficaria melhor sobre um rack mais bonito. Aí lembra que o sofá já está meio rasgado e troca ele também. Vamos investir muito nesse jogo", revela Hafemann, da Lojas Salfer.



