O tombo dos preços do petróleo e a alta do dólar no mercado internacional movimentaram a bolsa brasileira nesta quinta-feira, com a quarta queda consecutiva do Ibovespa, mas com forte alta de ações de empresas de meios de pagamento, após o resultado trimestral da Cielo.
O principal índice brasileiro de ações caiu 0,33 por cento, a 63.407 pontos, no menor fechamento desde 19 de julho de 2010. O giro do pregão foi de 7,18 bilhões de reais.
Foi um dia de bastante turbulência no exterior. O petróleo despencou quase 10 por cento em Nova York, para menos de 100 dólares por barril, após mais um dia de dados decepcionantes de atividade econômica nos Estados Unidos.
A alta de mais de 1 por cento do dólar contribuiu para esse movimento. O principal fator para a recuperação da moeda norte-americana foi a queda de mais de 2 por cento do euro, que sofreu após o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, sinalizar que o juro na região não deve subir em junho.
Com queda de quase 5 por cento do índice Reuters-Jefferies de commodities, as ações de empresas ligadas ao setor foram as principais responsáveis pela queda do Ibovespa. Petrobras recuou 3,36 por cento, a 24,47 reais, OGX Petróleo caiu 4,28 por cento, a 14,55 reais, e MMX 1,65 por cento, a 8,95 reais.
Vale PN foi a exceção à regra entre as empresas de commodities. Com alta de 1,39 por cento, a 44,47 reais, a mineradora se recuperou de parte da queda de 4,8 por cento nos últimos 3 dias, poucas horas antes da divulgação do balanço do primeiro trimestre, com expectativa de lucro de 5,75 bilhões de dólares, em média.
A aversão a risco poupou também outros setores, como os de meios de pagamento. A Cielo disparou 11,18 por cento, a 13,42 reais, após divulgar lucro de 424,7 milhões de reais no primeiro trimestre. O presidente-executivo da empresa, Rômulo de Mello Dias, disse em teleconferência que a companhia cresce "num ritmo superior ao esperado e até (com) algum ganho de market share".
Com base nos números, o Credit Suisse revisou para cima a avaliação da Cielo, colocando a empresa como "neutra". Os analistas Marcelo Telles e Victor Schabbel, no entanto, ressalvaram que as condições do setor seguem "desafiadoras".
"O potencial de alta é limitado", escreveram.
O comportamento do mercado como um todo, porém, ainda preocupa, diante da incerteza sobre a continuidade da turbulência internacional. "A gente está num ponto bastante importante. Se a bolsa não segurar, pode testar 60 mil ou 58 mil pontos", disse Rodrigo Falcão, operador da Icap Corretora.



