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Para entender

Como funciona o projeto do governo para o fim da escala 6×1 no Brasil?

Lula aposta no fim da escala 6"1 como parte de “pacote de bondades” com foco na reeleição (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O governo Lula enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência constitucional para extinguir a jornada de trabalho 6x1. A proposta visa reduzir o limite semanal para 40 horas, mantendo os salários atuais e buscando modernizar as relações laborais neste ano eleitoral.

O que exatamente muda com a nova proposta do governo?

O principal objetivo é eliminar a escala de seis dias de trabalho por um de folga. O projeto estabelece um limite de 40 horas semanais e impõe que os regimes de trabalho sigam, no máximo, o modelo 5x2 (cinco dias trabalhados e dois de descanso). Além disso, o texto proíbe expressamente qualquer redução nos salários dos trabalhadores em decorrência da mudança de jornada.

Quais trabalhadores serão afetados pela mudança?

A medida tem abrangência geral e contempla todos os trabalhadores regidos pela CLT e leis específicas. Isso inclui empregados domésticos, comerciários, radialistas, aeronautas, atletas e diversas outras categorias. O projeto também define que escalas diferenciadas, como a de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, podem ser mantidas desde que respeitem a média de 40 horas por semana e sejam acordadas coletivamente.

Por que o governo decidiu enviar o projeto com urgência constitucional?

A urgência constitucional obriga a Câmara e o Senado a analisarem a proposta em até 45 dias. Caso o prazo expire sem votação, a pauta da respectiva casa legislativa fica bloqueada. Politicamente, a medida é vista como um movimento estratégico para este ano eleitoral, aproveitando o forte apelo popular da pauta, que conta com o apoio de 71% da população, segundo pesquisas recentes.

Quais são os riscos econômicos apontados por especialistas?

Muitos economistas e entidades do setor produtivo alertam que a redução da jornada sem o ajuste nos salários eleva o custo do trabalho. Estudos sugerem riscos de aumento da inflação e do desemprego, com potencial de perda de postos de trabalho formais e queda no PIB. Há também o receio de que empresas de menor porte não consigam se modernizar tecnologicamente a tempo de compensar o aumento de custos.

Como fica a questão da produtividade no país?

O governo defende que a tecnologia permite produzir mais em menos tempo, compensando a redução da jornada. No entanto, especialistas questionam a tentativa de gerar produtividade por decreto. Eles explicam que a eficiência depende de investimentos em equipamentos e qualificação da mão de obra, alertando que o Brasil enfrenta estagnação nesse indicador há mais de uma década.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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