
A administração pública colocou o pé no acelerador na seleção e contratação de funcionários em 2009, e o segundo semestre ainda reserva a abertura de milhares de vagas em concursos. Três deles estão entre os mais aguardados do ano: Receita Federal, Banco Central e Polícia Rodoviária Federal somam 2,4 mil oportunidades. "Esses aí já estão autorizados. E isso é uma autorização de gasto, então é óbvio que o órgão vai colocar o edital na rua muito em breve", diz o professor Carlos André Silva Tamez, diretor do curso Aprovação.
Por "muito em breve", entenda-se semanas ou, na pior das hipóteses, alguns meses. Além disso, outros órgãos já colocaram os editais nas ruas: Polícia Federal, Ministério da Educação, Procuradoria Geral do Estado de São Paulo e Tribunal de Justiça de São Paulo oferecem, juntos, quase 1,6 mil vagas. Ou seja, entre os considerados "grandes processos" há quase 4 mil vagas abertas no país. "Há concursos muito bons, para trabalho com salário inicial de R$ 4 mil para nível médio. A iniciativa privada não paga isso aí de jeito nenhum", diz o professor do CEC Concursos e auditor fiscal da Receita Federal Carlos Alberto Barbosa.
Embora ainda não haja previsão de vagas para o Paraná, candidatos do estado podem se candidatar aos processos, mas terão de se mudar caso sejam aprovados para trabalho em outras cidades. No momento, entre os grandes concursos abertos, somente o para o cargo de procurador do Banco Central, cujas inscrições já terminaram, oferece vagas no Paraná. Entre os autorizados, só quando saírem os editais será possível saber se haverá oportunidades no estado.
Necessidade
Já concursos menores, contando prefeituras e outros órgãos, oferecem um número ainda maior de vagas. Os 29 processos em andamento no país contando os grandes concursos já citados somam 21 mil vagas.
"Falando de tribunais, prefeituras e outros órgãos, tem muito concurso aberto. Mas é importante destacar que neste ano os governos liberaram uma quantidade de concursos que ainda é inferior à necessidade. As liberações ocorreram em número menor que o solicitado", diz Tamez. Exemplo disso, diz ele, é o concurso da Receita Federal, para o qual foram autorizadas 1.150 vagas 450 para auditor fiscal e 700 para analista tributário.
Para ele, isso é sinal de que a administração pública está reservando uma "gordura" para queimar em 2010, ano de eleições. "Não se liberou tudo por interesse eleitoral, para guardar para o ano que vem. Essa prática de aumento de vagas em ano eleitoral já está comprovada", diz o coordenador. Mesmo com as eleições, o governo pode abrir processos seletivos, mas fica impedido de nomear os aprovados dois meses antes e dois meses depois do pleito.
Na semana passada, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou estudo mostrando que os governos estaduais gastam mais em ano eleitoral. Só no caso do governo paranaense, a diferença de investimentos chega a 35% em anos de eleições.








