
Como saber se um consórcio vale a pena ou não? É possível que não exista uma resposta pronta para essa pergunta. O consórcio parece a solução mais fácil para quem não é disciplinado o suficiente para fazer uma poupança a longo prazo e não tem necessidade imediata do carro ou imóvel. Mas a modalidade tem suas particularidades, que precisam ser levadas em conta no momento de fechar o contrato. É fundamental analisar o valor das prestações, as taxas e a necessidade do bem. "O brasileiro não tem a cultura de poupar, quando junta um bom dinheiro acaba surgindo outra necessidade e lá se vai a poupança. Nesse caso o consórcio é uma boa saída, desde que caiba no orçamento", avalia o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira.
O atrativo dessa forma de aquisição de bens é a ausência dos juros, mas em contrapartida existem as taxas que podem ser realmente caras. Normalmente são três cobranças: 1) taxa administrativa, que varia muito entre as administradoras de consórcio; 2) taxa de adesão, que é a comissão do vendedor e varia entre 0 e 2%; e 3) o fundo de reserva, para prevenir inadimplência de algum dos participantes.
A ausência de juros faz com que o consórcio fique mais barato que um financiamento e geralmente as administradoras não exigem a comprovação de renda em outras palavras ele é menos burocrático que o Crédito Direto ao Consumidor, por exemplo. As parcelas não são fixas e possuem formas diferenciadas de reajuste. Segundo Miguel, no caso dos automóveis o aumento é atrelado ao preço do veículo. Para consórcio de imóveis, o indexador é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), já para motos e bens de consumo, como eletrodomésticos, quem define o valor do reajuste são as fábricas.
Apesar de achar aceitável o consórcio, o vice-presidente da Anefac não acredita que ele seja a melhor opção de compra. "O mais indicado é sempre poupar e comprar à vista, porque aí o cliente não precisa arcar com as taxas", aconselha.
É por causa dessas tarifas, entre outros pontos do contrato de consórcio, que o consultor financeiro Conrado Navarro, editor do blog Dinheirama.com, o considera um mau negócio. Para Navarro, a grande armadilha é a promessa do sorteio rápido. "Os brasileiros costumam esquecer que podem não serem sorteados. No caso de uma pessoa que está adquirindo o primeiro imóvel, ela terá que arcar com as parcelas do consórcio mais o aluguel. No final das contas, se ele tivesse poupado esse dinheiro teria um maior poder de compra em um prazo mais curto", alerta.
Outro ponto que Navarro alerta é relativo ao lance. "Na maioria dos negócios o lance gira em torno de 50% do valor do bem. Se você tem esse dinheiro para o lance, será que não conseguiria coisa mais interessante em um financiamento?", questiona. Navarro lembra que no caso do consórcio de carro a situação muda, já que o valor é bem menor do que de um imóvel.
Mas os consumidores parecem não se intimidar. Segundo o presidente regional da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac), Reinaldo Bertin, o número de consorciados ativos tem crescido mês a mês e já são 3,5 milhões em todo o Brasil. Segundo ele, só no mês de agosto houve um crescimento de 2,6% em relação à mesma época do ano passado. "O consórcio é indicado para quem quer comprar um bem mas primeiro precisa formar um patrimônio. Se ele não é disciplinado o suficiente para fazer uma poupança, o melhor é o consórcio mesmo. Ele é uma poupança disciplinada", fala Bertin.
O empresário Thiago Squissardi fez do consórcio não só uma forma de adquirir casas, terrenos e carros, como um jeito de fazer dinheiro. "Pago consórcio há 12 anos. O bom é que se você for sorteado no começo pode vender a carta e ganhar um ágio em cima, ou pegar o imóvel. É uma forma de renda", conta. Ele já foi sorteado no segundo mês em um consórcio imobiliário. Squissardi recomenda o consórcio para qualquer pessoa, mas faz o alerta: "É preciso cuidar com o reajuste e ver se vai caber no seu salário".



