A consultoria americana Alvarez&Marsal que no exterior já atuou na reestruturação de empresas como a USAirways e Aeroméxico deverá assumir a gestão da Varig nos próximos dias. Na prática, a medida é encarada como uma espécie de "choque de credibilidade" junto ao mercado, e será antecipada, em função do delicado quadro da empresa e da necessidade de acelerar os procedimentos da recuperação.
A antecipação da mudança foi requerida pelo Aerus - empresa de previdência dos funcionários do setor aéreo e principal credora da Varig - à 8.ª Vara Empresarial, há duas semanas. O Ministério Público deu parecer favorável e o juiz que conduz o processo, Luiz Roberto Ayoub, deferiu o pedido. O prazo para efetivar a mudança não está definido.
Contingência
As companhias aéreas integrantes da Star Alliance já elaboraram planos de contingência para uma eventual paralisação da Varig, divulgou o periódico português "Jornal de Negócios". A informação tem como fontes o presidente da TAP (companhia aérea portuguesa) e o ex-presidente da Varig, Fernando Pinto.
A Star Alliance é uma associação comercial de 18 empresas aéreas que facilita conexões e o compartilhamento de vôos entre as parceiras. O plano de contingência, segundo Fernando Pinto, serviria para facilitar as conexões de passageiros da TAP e de outras empresas da Star Alliance no Brasil caso a Varig deixe de oferecer vôos no mercado doméstico. O Brasil é hoje o principal mercado da TAP fora de Portugal.
Compra
O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, informou ontem que a agência ainda poderá aprovar a compra da VarigLog, ex-subsidiária de transporte de cargas da Varig, pela Volo, a empresa criada no Brasil pelo fundo americano Matlin Patterson. Na terça-feira a Anac chegou a divulgar que o negócio havia sido rejeitado porque os proprietários da Volo não haviam pedido autorização. Ontem, entretanto, Zuanazzi informou que a agência não chegou a analisar o processo e que o aval será dado desde que a empresa cumpra todas as exigências legais. A concretização do negócio é importante para a própria Varig porque a VarigLog apresentou proposta de US$ 400 milhões para comprar a empresa.
Segundo Zuanazzi, a venda ainda não foi autorizada em razão da falta de uma certidão da Justiça Federal sobre débitos junto ao INSS. Um dos proprietários da Volo, Marco Antônio Audi tinha dívidas em fase de execução com o Instituto no valor de R$ 838,8 mil. Audi afirma que já quitou a dívida.



