
A sexta-feira foi de lojas cheias nos shoppings e no Centro de Curitiba. Muitos consumidores foram cumprir uma outra tradição desta época do ano: passado o Natal, é hora de trocar os presentes. "A loja fica cheia porque é o dia nacional da troca", diz a gerente da Zutti Calçados do Parkshopping Barigüi, Jaqueline Balbino.
A troca, no entanto, só é obrigatória, segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), em caso de produtos com defeito. Quem ganhou um presente que não agradou, ou não serviu, precisa contar com a disposição da loja em fazer a troca. A prática é comum, uma vez que quem vai fazer a troca, em muitos casos, faz mais compras. "A gente sempre acaba vendendo mais. As pessoas aproveitam para comprar um presente atrasado, ou escolhem um modelo mais caro", diz Jaqueline, da Zutti Calçados, que espera loja cheia no fim de semana todo, graças aos "erros" do Papai Noel. "A gente mantém a equipe maior nestes dias, justamente para dar conta desse movimento."
A advogada Svelana Caroline de Lara aproveitou o primeiro dia útil depois do Natal para trocar vários presentes que ganhou da família na noite do dia 24 uma calça jeans, uma blusa, um sapato e até uma jóia e confirma a tese dos lojistas de que vale a pena fazer a troca para garantir mais vendas. "Ou erraram a cor ou o tamanho. Vim pra trocar, mas já acabei comprando mais coisa."
Já a funcionária do consulado italiano Rossella Iacobis garante que não vai cair nesta "tentação". O objetivo é só trocar o sapato que ela ganhou da cunhada e não serviu e só. "Quero escapar logo daqui. Está cheio demais."
Além da expectativa
As vendas de Natal tiveram um aumento de 8% em relação ao ano passado, segundo a estimativa da Associação Comercial do Paraná (ACP) que tem como base as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao Videocheque. O aumento superou as expectativas da própria entidade, que esperava um crescimento da ordem de 6%. Já no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial de São José dos Pinhais (Aciap SJP), o aumento nas consultas foi de 9%, na comparação com o mesmo período de 2007.
Nos shoppings de todo o país, as vendas cresceram 3,5% neste ano na comparação com o ano anterior, já descontada a inflação, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Em termos nominais, a alta foi de 9,5% de acordo com a entidade.
Segundo a Alshop, os 689 shoppings em atividade no Brasil foram responsáveis por vendas reais de R$ 70,7 bilhões ao longo deste ano uma alta de 6,4% em relação a 2007. Em valores nominais, o montante ficou em R$ 75,24 bilhões em 2008. A entidade diz que a crise a crise econômica não comprometeu os resultados do varejo porque os primeiros nove meses do ano foram de "crédito farto e prestações alongadas, baixas de juros para o consumo, aumento da renda, ampliação do emprego formal e a valorização do real".
A agente de viagens Renata Cani foi uma das consumidoras que não deixaram a crise atrapalhar seu Natal. "Todo mundo ganhou presente. Não gastei menos por causa da crise." Mas, para evitar dores de cabeça, ela diz que as contas foram pagas com o 13º salário. "Nada de compras a prazo", diz. (CS)




