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Agronegócio

Cooperativas investem R$ 1 bilhão

Safra agrícola terá 30% a mais de recursos para elevar renda e ampliar exportações

As cooperativas do Paraná decidiram ampliar e aprimorar a produção, armazenagem e industrialização de alimentos com investimentos recordes. O Sindicato e Organização das Cooperativas (Ocepar), que representa 228 empresas no estado, divulgou ontem que os projetos programados para o ano-safra 2007/08 somam R$ 1.027.925,00 – valor 30,1% superior aos R$ 790 milhões do período anterior. Os investimentos vão principalmente para a pecuária (36%), com recursos direcionados à produção de suínos, frango, leite e ração, e para a estrutura de armazenagem e recepção de grãos (23%).

O investimento de mais de R$ 1 bilhão deve ter reflexo imediato na renda do sistema cooperativo, disse o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski. Em sua avaliação, o faturamento do setor deve chegar a R$ 18 bilhões neste ano, voltando ao patamar de 2004. Nos dois últimos anos, a cifra foi de R$ 16,5 bilhões. A estimativa é de que as exportações das cooperativas do estado passem de US$ 850 milhões (2006) para US$ 1 bilhão (2007).

As cooperativas do Paraná têm 407 mil cooperados. O maior grupo é o dos 110 mil agropecuaristas – 55% detentores de áreas de menos de 50 hectares. A Ocepar prevê elevação direta da renda desses cooperados.

Cerca de 70% dos recursos que estão sendo investidos vêm do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Os contratos seguem o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop). "As cooperativas entram com uma contrapartida de 30%. Quando não têm o suficiente, buscam apoio no sistema financeiro", disse Koslovski. Os financiamentos estão sendo contratados a juro de 6,75% ao ano, já com a redução de dois pontos anunciada pelo governo federal no Plano Agrícola e Pecuário há uma semana.

A retomada dos investimentos tornou insuficiente o valor máximo de financiamento por cooperativa (R$ 35 milhões). "Estamos reivindicando que esse valor passe para R$ 70 milhões", contou o presidente da Ocepar. Mesmo com a crise que afetou o agronegócio entre 2004 e 2006 – provocada pelo clima seco, pela suspeita de aftosa e pelo câmbio desfavorável –, os investimentos das cooperativas vêm crescendo em média 26,1% ao ano desde 2001.

As cooperativas prevêem aumento contínuo das exportações de frango. Alfredo Lang, presidente da C. Vale, que tem sede em Palotina (Oeste), disse que a empresa ampliará a produção de 240 para 320 mil aves ao dia. A empresa, que atua da produção do milho à industrialização da carne, planeja investir R$ 400 milhões neste e no próximo ano-safra. O valor inclui projeto que melhora o sistema de recebimento e armazenagem de grãos. "Estamos concorrendo com o mundo, não com os brasileiros", afirmou Lang.

A maior parte dos investimentos é direcionada a cadeias produtivas já estruturadas. O avanço em termos de participação no mercado ocorre no setor de açúcar e álcool. As cooperativas estão destinando R$ 160 milhões para ampliar a produção de cana e instalar usinas nas regiões Norte e Noroeste. Houve aumento de 240% nos investimentos, em relação ao ano passado, compara o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra.

O investimento em cana-de-açúcar deve-se à tendência internacional de aumento no consumo de álcool e à queda dos preços agrícolas, provocada pela queda do dólar frente ao real, disse o presidente da Cofercatu Agroindustrial, José Otaviano de Oliveira. "A crise dos grãos nos forçou a oferecer essa opção ao produtor." A cooperativa, com sede em Porecatu (Norte), deve elevar sua capacidade de moagem de 700 mil para 1,5 milhão de toneladas ao ano, com investimento de R$ 65,5 milhões. A atividade passa a exercer forte influência em municípios como Florestópolis (Norte), onde 10% dos 16 mil habitantes trabalham no setor.

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