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Telecomunicações

Copel aposta em telefonia fixa e internet com banda “extralarga”

Estatal quer transmitir dados, imagem e voz pela rede elétrica. Objetivo é conquistar clientes de provedores e operadoras telefônicas

  • Fernando Jasper
Técnicos da Copel instalam cabos de fibra ótica em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro: teste para nova tecnologia |
Técnicos da Copel instalam cabos de fibra ótica em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro: teste para nova tecnologia
 
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Copel aposta em telefonia fixa e internet com banda “extralarga”

Trezentos moradores de Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro) começam a testar, no próximo dia 25, uma tecnologia que poderá causar algum desconforto às provedoras de internet a partir de 2010 – e, nos anos seguintes, provocar dores de cabeça ainda mais agudas às operadoras de telefonia fixa. Quem pretende causar todo esse mal-estar, abocanhando parte do mercado das tradicionais empresas de “telecom”, é a Companhia Paranaense de Energia (Copel). A estatal quer fornecer internet de banda “extralarga” e telefonia fixa a seus clientes por meio de uma estrutura que domina há décadas: a rede elétrica. E a preços competitivos.

A exploração comercial da “internet de tomada” foi autorizada na semana passada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A telefonia fixa ainda terá de esperar, mas, no setor, sua liberação é vista como questão de tempo.

A PLC – sigla para “power line communication”, ou “comunicação por rede elétrica” –, que será usada em Santo Antônio da Platina, já é explorada em escala comercial em 20 países. A Copel foi a primeira do Brasil a testá-la, ainda em 2001, com 50 domicílios de Curitiba. A experiência mostrou que, embora fosse viável, a tecnologia tinha de ser aprimorada. “Os equipamentos que usamos na época não impediam uma grande interferência da linha elétrica sobre a transmissão de dados e imagem. Mas a tecnologia evoluiu muito desde então, e os novos equipamentos já eliminam essa interferência”, conta o diretor-presidente da Copel, Rubens Ghilardi. “Os testes vão durar de seis meses a um ano. Se forem bem sucedidos, já teremos condições de vender o serviço.”

A velocidade da internet será de pelo menos 20 megabits por segundo (Mbps), o dobro da maioria dos serviços convencionais. A Copel testará uma conexão ainda mais rápida, de 100 Mbps. Mas Ghilardi admite que pagar pela internet via rede elétrica vai compensar apenas para quem fica conectado várias horas por dia.

“O interesse das empresas de eletricidade na PLC é, fundamentalmente, concorrer com as operadoras de telefonia fixa. A ideia é oferecer todo o pacote, com transmissão de imagem, dados e voz, porque aí compensa para o usuário”, explica o executivo. Segundo ele, a empresa não definiu um preço para o serviço, mas simulações apontaram para rentabilidade entre 20% e 700%. “Varia muito, cada projeto tem um custo diferente. Mas, evidentemente, não vamos buscar um retorno de 700%. Nesses casos, o usuário é que pagará menos.”

A Copel pretende fazer a maior parte da transmissão por sua rede de fibra ótica, que tem quase 11 mil quilômetros e atende a 185 dos 399 municípios do estado. Aí reside o grande trunfo da empresa: quase toda a rede necessária já está instalada e, por um “pequeno custo adicional”, segundo Ghilardi, a companhia terá condições de atender a todos os seus 3,5 milhões de clientes. “A entrada no mercado de telefonia fixa vai permitir à Copel uma alavancagem brutal em seus rendimentos futuros.”

De acordo com o executivo, um equipamento instalado nos transformadores de energia já existentes – cada um atende de 40 a 50 casas – converterá o sinal “transportado” pelo cabo de fibra ótica em eletricidade. Em seguida, um modem comprado pelo usuário fará, na residência, a reconversão da energia elétrica para dados, imagem e voz. “A nossa subsidiária Copel Telecom vai pagar à Copel Distribuidora pelo aluguel do transformador”, diz Ghilardi. “Se em cada conjunto de até 50 domicílios apenas um aderir, fica inviável. Por isso, vamos começar vendendo o serviço nos grandes centros, como Curitiba, para então entrar no interior.”

O potencial do projeto, diz Ghilardi, é imenso: quase 98% da eletricidade consumida no estado passa pelas linhas de transmissão da Copel Distribuição, que chegam a 393 municípios do Paraná. Em todo o Brasil, apenas a Cemig, de Minas Gerais, tem capilaridade semelhante.

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