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Política monetária

Copom reage a indicadores ruins e corta juros em 1,5 ponto

Após a economia encolher no último trimestre de 2008 e a indústria ter queda recorde em janeiro, BC reduz Selic para 11,25% ao ano

Evolução da taxa Selic |
Evolução da taxa Selic (Foto: )

Em uma decisão unânime e que até algumas semanas atrás seria considerada uma grande surpresa, os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortaram a taxa básica de juros, a Selic, em 1,5 ponto porcentual. Ela passou de 12,75% para 11,25% ao ano, índice igual ao atingido em setembro de 2007, o menor da história.

O corte seguiu uma redução de um ponto porcentual em janeiro e mostra a força da crise econômica. Dados recentes da produção industrial mostram uma completa desintegração da demanda. Na terça-feira, foi divulgado que o PIB do país recuou 3,6% no último trimestre de 2008, porcentual que pegou de surpresa analistas porque embutiu uma queda de 2% no consumo das famílias brasileiras, responsáveis por cerca de 60% da demanda interna.

Apesar do corte de ontem, o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo. De acordo com os cálculos da UPTrend Consultoria Econômica a taxa de juros real brasileira passou a 6,5% ao ano. O segundo lugar no ranking é ocupado pela a Hungria, com taxa real de 6,2%, seguida pela Argentina e China, ambas com 4,3%.

No comunicado distribuído depois da reunião, o Copom tenta passar uma mensagem de cautela e centra o foco na inflação. "O Comitê acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", diz o comunicado.

O economista do Banco Itaú Joel Bogdanski avaliou que diante dos dados que mostram a atividade econômica bastante enfraquecida e da inflação comportada, o corte de 1,5 ponto porcentual seria natural. Segundo ele, até uma redução de 2 pontos seria defensável, mas considera que um movimento menos ousado permite que o ciclo de corte seja mais longo.

A economista-chefe do banco ING, Zeina Latif, que previa e defendia redução de um ponto na Selic, avaliou que o "comunicado conservador" do BC foi um ponto importante, pois mostrou que a instituição não vai reagir na mesma intensidade do mercado financeiro. Ela avalia que a decisão aumenta o risco de aceleração da inflação no futuro, já que, na visão da economista, a economia brasileira deve se recuperar mais rápido do que pensam muitos analistas.

Repercussão

Para diversas entidades, porém, a ousadia do Banco Central não foi suficiente. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliou que a redução de 1,5 ponto porcentual da Selic "ajuda, mas não resolve". "Os responsáveis pela política econômica serão, também, os responsáveis pelo desemprego no Brasil se, a curto prazo, não acontecerem novos cortes na Selic", afirmou o presidente da entidade, Paulo Skaf.

Skaf acredita que o Copom agiu corretamente ao baixar a taxa de juros, mas pediu a aceleração dos cortes. Para a Fiesp, a Selic deveria estar em um patamar entre 7% e 8%, levando-se em conta os níveis atuais de inflação.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também defende que o corte deveria ter sido maior. "O Brasil ainda tem chances de registrar crescimento em 2009 e devemos ser ousados para não perder a oportunidade", afirmou o presidente da central, Artur Henrique.

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