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Jornada de trabalho

Correios anunciam escala 12×36 e funcionários prometem reação

Medida ocorre em resposta ao rombo bilionário na estatal. Modelo aumenta jornada diária, mas compensa com saldo mensal de folgas.
Medida ocorre em resposta ao rombo bilionário na estatal. Modelo aumenta jornada diária, mas compensa com saldo mensal de folgas. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

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A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) ameaçou uma mobilização em nível nacional em resposta à decisão dos Correios, anunciada nesta terça-feira (24), de adotar, para algumas atividades, a jornada de 12 horas de trabalho para 36 horas de descanso.

O presidente da entidade, Emerson Marinho, argumenta que a nova jornada "adoece e impõe a sobrecarga horária aos trabalhadores" e pede que os trabalhadores não assinem nenhum acordo individual nesse sentido. "Deixa tudo aí lotar e vamos trabalhar conforme a legislação manda, que são as oito horas diárias", propõe.

"Se insistirem em retirar direitos, a resposta será organização, mobilização e luta em todo o país. Estamos construindo uma grande reação nacional para barrar esses retrocessos. Não há negociação com retirada de direitos", diz a entidade. A Fentect direcionou as críticas ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e à ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, mas não detalhou quais ações fariam parte da reação.

De acordo com a estatal, a medida faz parte do plano para cobrir o rombo que já chega a R$ 10 bilhões e está "alinhada ao processo de modernização dos fluxos operacionais e ao aumento da eficiência na prestação dos serviços".

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"A jornada flexível se consolida como um diferencial competitivo relevante, ao ampliar a capacidade operacional dos Correios e fortalecer o posicionamento da empresa frente à concorrência no segmento de encomendas", argumenta a empresa.

À iniciativa privada, o governo federal trabalha em sentido oposto, para reduzir a jornada de trabalho máxima permitida. A ideia é proibir a jornada 6x1 e impor uma carga horária semanal máxima de 36 horas. O discurso adotado em defesa da pauta é justamente o da preservação da saúde dos trabalhadores.

No caso dos Correios, como o modelo proposto seria calculado em horas, os funcionários alternariam entre trabalhar quatro dias em uma semana e três dias na semana seguinte. A empresa fica obrigada a conceder uma hora para almoço ou descanso, além de pagar adicional noturno. Ao mesmo tempo em que supera a jornada diária comum, aumentando as críticas relacionadas ao desgaste do trabalhador, a jornada 12x36 gera em média 15 dias de folga por mês.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a Casa Civil, com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e com os Correios. O espaço segue aberto para manifestação.

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