
A China crescerá mais lentamente em 2009, segundo uma avaliação divulgada ontem pelo Banco Mundial (Bird). A previsão de expansão para a economia chinesa foi reduzida de 9,2% para 7,5%. O porcentual é ainda mais baixo do que uma estimativa feita há duas semanas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de 8,5%. Se a projeção do Bird for confirmada, 2009 será o ano de menor crescimento da China desde 1990 e a primeira vez desde 2002 que o país cresce abaixo de 10%.
"As recessões coordenadas nos Estados Unidos, Europa e Japão criam um cenário muito difícil para as economias emergentes, mas a China vai conseguir manter um crescimento saudável em 2009 graças ao pacote de estímulo anunciado pelo governo", afirmou o chefe da missão do Banco Mundial na China, David Dollar.
O governo chinês tem tentado reverter a tendência de retração econômica causada pela crise internacional. Os juros no país foram reduzidos duas vezes nos últimos dois meses e há três semanas foi anunciado um pacote fiscal de mais de US$ 500 bilhões para bancar novos investimentos em infra-estrutura e incentivar o consumo.
O economista Giuliano Contento de Oliveira, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que a intensidade da crise já apontava para uma desaceleração na China e que o cenário ainda está se consolidando. "A economia chinesa está muito ligada ao que acontece nos Estados Unidos e é possível que as previsões sejam refeitas nos próximos meses", diz. "Mesmo assim, uma variação pequena na China é menos relevante para o Brasil do que o desempenho das economias desenvolvidas."
Para o economista Antonio Corrêa de Lacerda, especialista em economia internacional e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a taxa de 7,5% projetada pelo Banco Mundial ainda seria um resultado muito bom diante do tamanho da crise global. "O mundo todo vai crescer menos, mas a China ainda apresenta um ritmo forte", diz.
Na opinião de Lacerda, o fato de a China ainda ter potencial para crescer acima dos 5% ao ano deve ser visto como uma oportunidade pelo Brasil. "Isso significa que eles vão continuar comprando, especialmente os produtos básicos que vêm sendo embarcados daqui para lá", analisa. Minério de ferro e soja são as principais exportações brasileiras para a China. Além disso, é provável que o pacote de estímulo do governo chinês gere nova demanda por produtos mais sofisticados. "É preciso mais esforço do Brasil para entrar naquele mercado."
Risco político
Análises recentes têm destacado que a estabilidade política na China depende de um crescimento rápido, na casa dos 10% ao ano. Esse é o porcentual necessário para a criação dos empregos que absorvem a multidão que migra do campo para as cidades todos os anos. Recentemente, o economista Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova Iorque que foi um dos primeiros a falar sobre o risco da crise atual, escreveu um artigo em que questiona a habilidade do governo chinês em evitar revoltas sociais motivadas pelo desemprego.
O Banco Mundial não faz estimativas sobre cifras de desemprego na China, mas o economista-chefe da entidade, Louis Kuijs, previu queda na criação de novos postos de trabalho urbanos no próximo ano em relação a 2008. O chefe da missão na China, David Dollar, observou ainda que pode haver "alguns problemas" sociais no campo caso um grande número de migrantes comece a retornar a suas vilas por não encontrarem emprego nas cidades.



