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O Brasil encerrou 2025 com a criação de 1,27 milhão de empregos formais, o pior saldo anual desde 2020, quando iniciou a pandemia da Covid-19, segundo dados do Caged divulgados nesta quinta-feira (29). O resultado expõe a perda de fôlego do mercado de trabalho com carteira assinada ao longo do ano, apesar do discurso oficial de resiliência da economia.
Entre janeiro e dezembro, foram registradas 26,59 milhões de contratações e 25,3 milhões de desligamentos, elevando o total de celetistas de 47,1 milhões para 48,4 milhões. A expansão de 2,71% no estoque de vagas formais ficou abaixo do desempenho de 2023, quando cresceu 3,3%, e de 2024, que avançou 3,69%.
O ministro Luiz Marinho, do Trabalho e Emprego, atribuiu o fraco resultado de dezembro à política de juros elevados mantida pelo Banco Central em 15% nesta semana. Para ele, a Selic alta trava investimentos e o crescimento.
“Procurei dialogar com Banco Central, mostrando o que a gente conseguia interpretar das atas e que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo [da economia]. [...] Isso reflete em queimar orçamento para pagar juros”, disse o ministro ressaltando que isso limita a geração de empregos no curto e médio prazo.
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O mês de dezembro agravou o quadro e fechou com saldo negativo de 618 mil postos formais, pior desempenho do período na comparação anual. A queda representa retração de 1,26% em relação a dezembro do ano anterior, sinalizando desaceleração mais intensa no fim do ano.
No acumulado de 2025, todos os grandes setores econômicos apresentaram aumento de contratações, mas em ritmo desigual. O setor de serviços liderou com 758 mil novas vagas, alta de 3,29%, seguido pelo comércio, que abriu 247 mil postos formais.
Na série histórica, o ano de 2020 teve a eliminação de 189,3 mil vagas formais de emprego, recuperada em 2021 com a geração de 2,7 milhões. Em 2022, o Caged registrou 2 milhões de vagas, 1,4 milhão em 2023 e 1,6 milhão em 2024.
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Tarifaço de Trump impactou empregos na indústria
A indústria, impactada por fatores externos e internos, registrou saldo positivo de 144 mil empregos ao longo do ano. O desempenho ficou aquém das expectativas e reforça a leitura de perda de competitividade diante do custo elevado do crédito.
Luiz Marinho minimizou os efeitos do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, que sobretaxou produtos brasileiros em 50%. Este foi um dos principais motivos para o menor saldo positivo de geração de empregos na indústria.
“O impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo para abrir novos mercados. Isso deu uma minimizada muito grande”, disse.
Na análise regional, os maiores crescimentos proporcionais ocorreram no Amapá, com alta de 8,4% no total de empregos formais, seguido pela Paraíba, com 6%, e pelo Piauí, com 5,81%. O Espírito Santo teve o pior desempenho do país, com aumento de apenas 1,52% no número de vagas com carteira assinada.
O resultado fraco do emprego formal contrasta com os dados do IBGE, que apontam mínima histórica da taxa de desemprego. No trimestre encerrado em novembro do ano passado, a desocupação ficou em 5,2%, a menor desde 2012, indicando avanço da ocupação, ainda que com menor dinamismo no emprego com carteira assinada.








