A incerteza em torno do futuro da Varig hoje com estimados 10% de participação de mercado e o aumento da demanda dos passageiros que não podem mais contar com a companhia aérea para determinados destinos provocaram o surgimento de 14 novas rotas no mercado nacional e internacional nos últimos meses, além do aumento no número de vôos (freqüências) em rotas já existentes. A Varig atende hoje a apenas 25 destinos, entre nacionais e internacionais
As companhias de menor porte são as que mais estão se movimentando. A BRA, por exemplo, começou no sábado a voar regularmente para o exterior, com vôos para Lisboa e Madri, além de cinco outras rotas nacionais inauguradas em novembro do ano passado. Já a Webjet, depois da reestruturação societária, voltou a voar do Rio para Porto Alegre e, desde segunda-feira, também vai para Salvador. Ainda este ano, a Ocean Air começará a voar para Bogotá e Los Angeles. A aprovação depende ainda da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Entre as grandes empresas do setor, a TAM foi a que mais ampliou a oferta. Ainda este mês, a empresa vai atender a Boa Vista e Roraima. Este ano a companhia incorporou à sua malha aérea vôos saindo do aeroporto de Guarulhos (SP) para Campo Grande, Cuiabá, Porto Alegre e Navegantes (SC), além de rotas que interligam cidades do Nordeste a São Paulo. A malha internacional também será ampliada: em outubro, a companhia começa a voar para Londres.
Air France: oferta limitada por acordo bilateral
As empresas também estão aumentando o número de freqüências de vôos já existentes. Com dois novos vôos encorpando a oferta na freqüência São Paulo-Paris que entram em operação em novembro, a Air France chega ao limite de sua cota de vôos para o Brasil, dentro do acordo de bilateralidade assinado pelas autoridades governamentais e aeronáuticas dos dois países. Com taxas de ocupação média para o Brasil a 83,2% (em maio), a empresa em novembro amplia sua oferta total nas rotas de São para o Brasil em quase 50% - além dos novos vôos, operados com Airbus 330 (205 lugares), estará substituindo os atuais Boeing 777-200 com capacidade para 270 passageiros pelos 7770-300, que são aviões maiores e transportam até 345 passageiros, totalizando 12 vôos semanais a partir de São Paulo.
- Nossa ambição é ter dois vôos diários entre São Paulo e Paris, mas, com estes dois novos vôos de São Paulo já estaremos usando a totalidade do acordo. E a Anac tem sido prudente nestes casos. A posição que temos é que estão aguardando um pouco até que se clarifique a situação da Varig disse a diretora-geral do grupo Air France-KLM no Brasil, Isabelle Birem.
A Anac mantém sua posição de cautela com relação a redistribuição de linhas e aguarda uma definição da situação da Varig, que luta por sua sobrevivência em meio a um processo de recuperação judicial. De acordo com técnicos consultados, a agência considera que haja uma tendência de a Varig se normalizar no mercado, retomando suas linhas internacionais, e que, por isso, não vê no momento a necessidade de permitir concessões temporárias.
A executiva do grupo, que atualmente é o maior da Europa e o primeiro em faturamento no mundo, reiterou o interesse em ampliar ainda mais a oferta para o Brasil, mesmo que fosse para uma concessão temporária:
- Se as autoridades brasileiras permitirem, gostaríamos de aumentar os vôos mesmo que fosse uma concessão temporária. No entanto, para uma empresa como a Air France, espera-se que uma concessão temporária dure por, no mínimo, uma temporada acrescentou a executiva, durante o evento de apresentação do novo diretor do Rio de Janeiro, Norte e Nordeste Jean-Louis Prades.
Em meio à temporada de férias e aumento na procura de bilhetes durante o período da Copa do Mundo na Alemanha, Birem lamentava não ter podido atender à procura gerada com a retração da oferta, com a suspensão dos vôos para Paris da Varig.
- Com tantas pessoas viajando pela Copa do Mundo, o período de férias na Europa, estamos lotados. E os vôos do Rio estão ainda mais lotados que os de São Paulo. Não poderíamos atender às expectativas disse Birem.
Mesmo com taxas de ocupação elevadas, Prades, o novo diretor de vendas da empresa que deixa Xangai para trabalhar no escritório central do grupo no Brasil, no Rio de Janeiro, avalia que ainda haja espaço para crescer as vendas no mercado brasileiro:
- Os vôos estão cheios, mas não estão lotados. O melhor seria lutar para conseguir mais vôos, porém, ainda há espaço para aumentar as taxas de ocupação. Vamos trabalhar com foco no cliente das classes executivas e primeira e, na econômica, no viajante individual. É a nossa escolha quando não há assentos disponíveis avaliou o novo diretor de vendas.
Jean-Louis Prades, ex-diretor do escritório da Air France em Xangai, substitui Sylvie Caudrillier, que desde agosto de 2003 ocupava o posto de diretora de vendas, e agora volta a Paris para cuidar de todas as salas VIP do grupo Air France- KLM no Aeroporto Roissy-Charles de Gaulle.



