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Crise pode ter "desdobramentos não previstos" e atingir Brasil, alerta IPEA

"É muito difícil dizer com 100% de certeza que Brasil saiu da crise", diz. Segundo economista do IPEA, estímulos econômicos têm efeitos limitados

O assessor econômico da Presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Milko Matijascic, que coordena um grupo de trabalho sobre a crise financeira internacional, alertou nesta quinta-feira (19) que as turbulências internacionais ainda podem "ter desdobramentos" e, com isso, voltarem a atingir a economia brasileira.

"É muito difícil dizer com 100% de certeza que o Brasil saiu da crise. Diante dos dados do momento, o país venceu as etapas mais difíceis da crise, mas podem haver desdobramentos não previstos e eles podem atingir o Brasil. Ainda existem riscos", disse ele a jornalistas ao divulgar um estudo sobre o assunto.

Segundo Matijascic, a maioria dos países está reagindo bem, neste momento, por conta dos estímulos fiscais adotados. "A gente injetou muito estimulante nas economias, mas estes efeitos têm duração limitada", observou.

O assessor da Presidência do IPEA notou ainda que os movimentos da economia internacional costumam ser "rápidos e bruscos", o que impede que se possa dar uma garantia para a população de que a crise definitivamente já tenha passado. "Temos de ter um monitoramento muito cuidadoso", declarou.

Riscos

Entre os riscos apontados pelo economista do IPEA, estão: nível maior de desemprego, queda da massa salarial, queda do nível de comércio internacional e, também, a forte queda do dólar no Brasil. "O Brasil não precisa se preocupar com a inflação. O desafio é a competitividade. A queda do câmbio [dólar] é preocupante e dificulta a vida das indústrias brasileiras, que são as principais geradoras de empregos mais sólidos. O câmbio é uma variável preocupante", disse ele.

Qual o tipo de recessão mundial?

O estudo divulgado pelo IPEA nesta quinta-feira mostra que alguns dos principais teóricos da crise, entre eles Joseph Stiglitz, Paul Krugman e Nouriel Roubini, não concordam inteiramente sobre qual tipo de recessão passa a economia mundial.

Para Krugman, as principais possibilidades seriam de recessão em W (com uma nova queda antes da recuperação), ou em L (com uma recessão prolongada). De acordo com Roubini, a probabilidade maior seria de recessão em W ou em U (com um período um pouco maior antes da recuperação), enquanto Stiglitz também aposta em uma recessão em W.

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