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Balanço

Crise política pode prejudicar indústria

Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, diz que a economia não é invulnerável, mas é resistente

Brasília (das agências) – O coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, avaliou que a crise política, apesar de ainda não ter se refletido no cotidiano da indústria brasileira, deverá afetar as expectativas dos empresários e, com isso, prejudicar decisões sobre novos investimentos no país. Castelo Branco foi o responsável por divulgar ontem os indicadores que mostram um crescimento da atividade industrial nacional em junho. "Se as expectativas em relação às condições correntes da economia se deteriorarem, uma retração dos investimentos pode ocorrer", frisou.

Na linha de defesa da saúde financeira do país, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que "não há corpo invulnerável às doenças, mas a economia brasileira, tal como um organismo saudável, é mais resistente e tem melhores condições de enfrentar o problema".

Há controvérsias. Analistas já estão sinalizando que a demora na aprovação de reformas estruturais somada à crise política pode diminuir o ritmo de crescimento da economia, que já estava comprometido por causa das altas taxas de juros. "A economia brasileira vinha com uma tendência de desaceleração devido aos altos juros, que pode ser acentuada no segundo semestre em razão da situação política", disse o economista-chefe para a América Latina do banco HSBC em Nova Iorque, Paulo Vieira da Cunha.

De qualquer maneira, a indústria nacional continua trabalhando com bons resultados, como demonstrou o coordenador da CNI. De acordo com a entidade, o bom desempenho das exportações foi o principal fator que garantiu a recuperação da atividade industrial em relação a maio. "O maior enigma da economia é esse aumento das exportações com a taxa de câmbio atual", disse Castelo Branco.

As vendas reais na indústria entre abril e junho tiveram uma expansão de 1,5% em relação ao primeiro trimestre do ano, um crescimento ainda bem menor que no primeiro e segundo trimestres de 2004, quando a expansão foi acima de 4%. "O registro de taxas moderadas de crescimento das vendas e das horas trabalhadas na produção sugere que a indústria está se adaptando a um novo ritmo de expansão", afirmou o coordenador da CNI. Esse novo ritmo, mais lento, teria sido determinado pela elevação das taxas de juros a partir de setembro do ano passado.

Castelo Branco também afirmou que há "um arrefecimento nítido" nas contratações nos últimos dois meses. O crescimento no número de empregos no acumulado do primeiro semestre, entretanto, foi de 6,36% na comparação com o mesmo período de 2004. Os indicadores industriais também mostram uma recuperação da massa salarial que é explicada, em grande parte, pela queda da inflação.

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