Em meio a uma das piores crises da agricultura brasileira na última década, será inaugurada hoje a segunda fábrica de tratores do Paraná. A unidade, instalada em São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba), é resultado de parceria entre a indústria de pulverizadores paranaense Montana e a italiana Landini, braço de máquinas agrícolas do grupo Argo.
Se a crise não provocou o abandono do projeto, levou a uma redução drástica do investimento. Dos 20 milhões de euros (cerca de R$ 60 milhões) previstos em 2004, quando a joint venture foi criada, foram aplicados apenas 4 milhões de euros (R$ 12 milhões), divididos iguamente entre as companhias.
A principal causa da revisão dos planos foi o comportamento da venda de máquinas agrícolas no país no ano passado. Foram comercializados apenas 17.729 tratores, volume 38% abaixo do registrado no ano anterior. A queda na venda de colheitadeiras foi ainda maior: 72,6%, para 1.534 máquinas.
"Como somos indústrias, não empresas financeiras, nosso raciocínio foi investir na baixa para estarmos prontos quando o mercado começar a subir", explica o italiano Gianni Abbiati, diretor de novos negócios da Landini. O Brasil era o único grande produtor mundial de grãos ainda não alcançado pela empresa, quarta do ranking de máquinas agrícolas, atrás de John Deere, Case New Holland (CNH) e AGCO. Em 2004 o Grupo Argo faturou US$ 1 bilhão.
Para disputar o mercado brasileiro que em anos de bom desempenho absorve quase 20 mil tratores , a Landini tinha de fabricar seus produtos no país. As regras para financiamentos do programa federal Moderfrota, que oferece juros subsidiados para a compra de máquinas e implementos agrícolas e foi o grande responsável pela modernização do campo nos últimos anos, exigem que os produtos tenham um índice mínimo de 75% de nacionalização.
A linha de produção de tratores dividirá espaço com a fabricação de pulverizadores da Montana, que também sofre com a crise da agricultura e enfrentava ociosidade. Segunda do ranking nacional, atrás da Jacto, a Montana tem capacidade para produzir 3,5 mil equipamentos por ano, na unidade paranaense e na recém-inaugurada planta de Fraiburgo (SC).
"Implantamos um sistema de produção enxuto, que economiza espaço, equipamentos, mão-de-obra e material", afirma Gilberto Junqueira Zancopé, presidente da Landini do Brasil. Serão fabricados dois modelos, da Linha Landpower, com 140 e 160 cavalos de potência.
A Landini trouxe um sistema de vendas inédito no país. Além das concessionárias tradicionais, os tratores serão comercializados por cooperativas agrícolas. Já há dois contratos, com a paranaense C.Vale, de Palotina (que atua no Oeste do Paraná, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e a Comigo, de Goiás.
A direção da Case New Holland, do Grupo Fiat, que tem fábrica na Cidade Industrial de Curitiba desde 1975, não quis comentar a chegada do concorrente. A unidade tem capacidade para produzir 75 tratores e 25 colheitadeiras por dia, das marcas Case IH e New Holland. Atualmente, ela não opera com capacidade total.



