
A exemplo do que ocorre em todo o estado, o mercado de trabalho em Curitiba está bastante aquecido. Em agosto deste ano, foram abertas 3,6 mil vagas na capital, o maior valor para o mês desde 1999, segundo dados divulgados ontem pelo Observatório do Trabalho, órgão vinculado à Secretaria Municipal do Trabalho e ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A maioria das vagas é do setor de serviços, que responde por metade dos empregos na cidade.
De janeiro a julho deste ano, a criação de empregos formais na capital cresceu 5,35%, batendo a variação de 4,04% que havia sido registrada em 2004. Em 12 meses, a expansão na capital é de 7,07%, em linha com o aumento observado em todo o Paraná, de 7,17%.
O setor da construção civil foi o principal criador de empregos na capital no mês passado, com aumento de 1,38% ante julho. De janeiro a agosto, foram criadas 3.094 vagas de servente de obras. "O setor está aquecido. As construções conseguem passar os custos e ter margem para contratar mais trabalhadores", esclareceu o economista Cid Cordeiro, do Dieese.
Depois dos serventes, as funções de auxiliar de escritório e assistente administrativo foram as que mais demandaram trabalhadores o que explica o aumento do emprego no setor de serviços. "Curitiba é uma cidade com um perfil de muitas contratações nessa área. Devemos observar um aumento ainda maior a partir de outubro, por conta do Natal", enfatizou o secretário municipal do Trabalho e Emprego, Raul DAraújo Santos.
Entre as 12 capitais pesquisadas pelo Dieese com mais de 1 milhão de habitantes, Curitiba é a 4ª colocada no estoque de empregos, com 581 mil pessoas trabalhando com carteira assinada atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Em Curitiba e região metropolitana, a taxa de desemprego está em 6,2%, abaixo da média registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em outras seis regiões metropolitanas, de 7,6% (leia mais ao lado).
A explicação para os bons resultados, de acordo com o secretário, é o crescimento observado na economia brasileira durante o primeiro semestre. "A estabilização econômica fez com que os empresários investissem, o que ocasionou a geração de novas vagas. Com o emprego e o salário, são mais consumidores no mercado, gerando um ciclo positivo para a economia."
Salários
O salário médio de admissão que mais cresceu em Curitiba nos primeiros oito meses do ano foi o de almoxarife, com alta de 12% contando as 20 ocupações que mais abriram vagas. O salário passou de R$ 544,8 para R$ 610,11, seguido pelo de operador de telemarketing, que passou de R$ 352,63 no ano passado para R$ 392,71 uma variação de 11,37%. "Alguns salários, apesar de baixos, foram corrigidos e a tendência é que esses valores aumentem", afirmou o secretário do Trabalho e Emprego.
A função de "diretor de serviços de informática" aparece no levantamento do Observatório como a que melhor paga em Curitiba, com salário médio de admissão de R$ 19,3 mil. Cargos como "supervisor de ensino" (R$ 13.662, em 4º lugar) e "pesquisador de engenharia civil" (R$ 11 mil, na 8ª colocação) também estão na lista. O último mais bem pago do ranking, em 20º, é o "atleta profissional de futebol", com salário médio de admissão de R$ 6.376.




