
O curitibano está mudando seus hábitos de consumo. Nos últimos anos, incluiu mais itens de alimentação, bebidas e limpeza nas suas compras e passou a frequentar mais os supermercados de vizinhança, próximos à sua casa. Hoje 58% dos consumidores da cidade preferem fazer suas compras nesse tipo de loja, contra 40% dos que optam pelos hipermercados. O consumidor da capital também está ficando menos fiel à marca 44% dizem que trocam de fabricante na hora de comprar em função de preço menor e qualidade. Outros 11% podem fazê-lo dependendo do produto.
Os dados são de um levantamento inédito da Paraná Pesquisas, feito com exclusividade para a Gazeta do Povo, que apurou hábitos de consumo de 480 pessoas em Curitiba.
O curitibano também está indo com mais frequência ao supermercado. O hábito de estocar produtos, comum na época da hiperinflação, aos poucos vai perdendo espaço. "Hoje é comum a dona de casa ir mais vezes ao supermercado menor para repor estoque ou adquirir itens de consumo diário", diz Christian Majzak, da GO4! Consultoria.
Segundo outro estudo, elaborado pela empresa especializada em informações de mercado Nielsen, o curitibano vai até sete vezes mais ao supermercado do que a média brasileira e gasta cerca de 23% mais. Curitiba tem um número maior de lares com maior poder aquisitivo e tem perfil mais familiar que a média do país com mais crianças, donas de casa mais jovens e animais de estimação , o que ajuda a explicar o padrão de consumo.
"As pessoas já vão, em média, cinco vezes ao supermercado no mês", afirma Valmor Rovaris, superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras). Entre os entrevistados pela Paraná Pesquisas, 43% disseram que fazem de uma a duas compras no mês, mas 22% vão mais de cinco vezes ao supermercado no mês.
"Quanto mais perto o supermercado fica da casa do consumidor, mais ele faz compras na loja", diz Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, diretor da Paraná Pesquisas. Com a piora nas condições do trânsito e o aumento no tempo de deslocamento, o consumidor está cada vez menos disposto a percorrer distâncias maiores, e prefere a comodidade de lojas mais próximas.
Mais produtos
A combinação de aumento da renda, inflação sob controle e diversidade cada vez maior de produtos nas gôndolas também criou novos momentos de compra para o curitibano, que diversificou canais de consumo, como lojas de conveniência, açougues, padarias e pontos de venda especializados. O movimento se respalda em quatro comportamentos, que os especialistas acreditam que vêm ganhando peso na hora da compra: praticidade, preocupação com a saúde, indulgência e sofisticação.
Com mais dinheiro no bolso, a dona de casa não só está indo mais vezes ao supermercado, como também está comprando mais a cada ida. Um terço dos entrevistados disse ter aumentado o número de itens adquiridos no supermercado principalmente alimentos, bebidas e produtos de limpeza. De acordo com a Nielsen, passaram a fazer parte com mais frequência da lista de compras produtos como bebidas à base de soja, molho concentrado, leite condensado e sucos prontos e amaciantes, por exemplo. Na classe média, esses produtos ganharam espaço graças a embalagens econômicas, que apresentam melhor custo-benefício.
Renda sobe, fidelidade cai
O crescimento da renda estimulou a experimentação de produtos e fez diminuir a fidelidade às marcas. De acordo com a Paraná Pesquisas, quase metade dos curitibanos diz não ser fiel à marca, algo impensável há dez anos, segundo Valmor Rovaris, superintendente da Apras. Parte desse movimento se deve ao aumento da oferta de fabricantes e à chamada "commoditização" dos produtos nas gôndolas. "Produtos de um mesmo nível estão cada vez mais parecidos."
A infidelidade, no entanto, atinge de forma diferente as categorias de produtos e muda conforme a classe social. "As consumidoras tendem a ser mais fiéis a marcas na categoria de higiene pessoal do que a outras", afirma Ramiro Gonçalez, professor de inteligência de mercado e mídias da Fia/USP. "As classes emergentes tendem a experimentar mais, e as classes com perda de poder aquisitivo buscam marcas mais baratas", afirma.




