Curitiba Para ser competitivo no mercado de trabalho, é preciso manter-se atualizado e não parar de estudar, garantem os especialistas. Cursos de capacitação, atualização, qualificação, extensão, graduação e de pós-graduação são as ferramentas para quem precisa adquirir novos conhecimentos sobre a área em que atua. Só que nem sempre sobra tempo para freqüentar as aulas, ou os cursos bons mesmo estão muito longe. Para suprir essas lacunas, existe o ensino à distância, modalidade ainda não tão conhecida do público em geral, mas que oferece inúmeros treinamentos para os profissionais.
Antes de tudo é preciso saber quem regula o quê. Os cursos de nível superior são credenciados pelo Ministério da Educação (MEC), enquanto os de educação fundamental de jovens e adultos, ensino médio e educação profissional de nível técnico são credenciados pelo órgão do sistema municipal ou estadual responsável a menos que seja uma instituição vinculada ao sistema federal de ensino, quando o credenciamento é feito pelo Ministério da Educação. No Paraná e em Curitiba, o credenciamento é de responsabilidade do Conselho Estadual de Educação (veja quadro na página 15).
No estado existem nove instituições de ensino superior cadastradas pelo MEC para ministrar cursos de graduação e pós-graduação à distância, e mais cinco que têm permissão para ofertar somente cursos de pós-graduação na modalidade. Uma delas é a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que atualmente utiliza a educação à distância principalmente como uma forma de auxílio para os cursos presenciais. "Existem basicamente dois tipos de ensino à distância: o assíncrono, que é todo online e pelo qual o aluno estuda quando quiser e onde quiser, e o síncrono, que tem aulas com horários marcados", explica o professor Maurício Mendes, assessor para ensino à distância da universidade.
São diversas as modalidades de ensino à distância, conforme explica Mendes. Em algumas, as aulas são gravadas e o aluno pode revê-las quando quiser. Em outras, tecnologias de videoconferência permitem que os alunos interajam com o professor. Existem ainda as em que os alunos somente assistem às aulas e podem tirar dúvidas com tutores por e-mail, chat ou outra forma de comunicação. A eficácia, no entanto, não reside apenas no suporte utilizado, opina o professor. "Existem cursos e cursos, como nos presenciais, mas a qualidade depende basicamente do método. Precisa ter um formato meio jornalístico, com várias imagens, animações e simulações, para atrair o estudante", conta.
Antônio Oliveira, presidente da empresa Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino (Iesde), que produz material didático e cursos à distância, conta que no Paraná existem todas as opções de ensino à distância já inventadas, tais como tele-aulas transmitidas via satélite, material didático impresso, Learning Management System (LMS) por computador, videoaulas, entre outras. Isso tudo sempre somado ao ensino ao vivo. Pela legislação, os cursos à distância devem oferecer pelo menos 20% da carga horária em aulas presenciais. Avaliações, estágios e atividades em laboratório também precisam ser presenciais.
Para Oliveira, a grande vantagem da educação à distância é que os recursos das tecnologias da informação e das comunicações que estão a seu serviço, se forem bem operacionalizados, podem corrigir em pouco tempo deficiências importantes na educação como um todo. "Isso funciona e com custos muito baixos especialmente em países com baixa escolaridade, como no Brasil", diz.
Oliveira fala também que o ensino à distância é extremamente útil, porque permite a simultaneidade do aprendizado com o trabalho, sobretudo nos casos em que outro tipo de ensino não está disponível. "Não se trata, portanto, de discutir qual modalidade de ensino é a mais adequada, mas qual é a possível, nas condições em que o educando se encontra", completa.
Serviço: A Associação Brasileira de Educação à Distância (ABED) mantém um catálogo de cursos oferecidos no país www.abed.org.br.



