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De saída, Joel Malucelli promete menos nepotismo em seu grupo

Empresário que emprega cerca de 50 parentes vai passar o comando ao filho mais velho no fim de 2012. Mas diz que genros e netos não terão privilégios

Metade da sucessão do Grupo JMalucelli já foi resolvida, segundo o empresário. Falta definir o comando da construtora, da área de comunicações e das empresas de pequeno porte | Hugo Harada / Gazeta do Povo
Metade da sucessão do Grupo JMalucelli já foi resolvida, segundo o empresário. Falta definir o comando da construtora, da área de comunicações e das empresas de pequeno porte (Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo)

Daqui a pouco mais de um ano, o Grupo JMalucelli passa a ser conduzido com mais profissionalismo e menos nepotismo. Quem avisa é o fundador e presidente do conglomerado, Joel Malucelli – ele mesmo, que emprega meia centena de familiares em suas empresas e sempre exaltou o sucesso de seu modelo de recursos humanos, que poderia ser descrito como um "nepotismo de resultados".

Isso não quer dizer que haverá uma revolução no grupo. Até porque em janeiro de 2013 quem assume o comando é Alexandre, filho mais velho de Joel, e outros familiares do empresário e de seus sócios continuarão espalhados pelas mais de 60 empresas do JMalucelli. A diferença é que, após a aposentadoria do fundador, marcada para dezembro de 2012, não haverá compromisso em dar guarida à geração seguinte da família, nem a "agregados".

"Costumo dizer que aqui o nepotismo deu certo. Mas é um nepotismo saudável. Porque, além da confiança que temos nos parentes próximos, temos um sistema de qualificação do parente que eu considero rigoroso", conta. "Temos um conselhinho, do qual fazem parte 14 filhos – meus, de outros acionistas e de diretores da empresa. Dele selecionamos os que se destacam e têm afinidade com determinadas áreas, que então são preparados para assumir funções. Integrantes do conselhinho, portanto, terão preferência no futuro. Mas não teremos mais compromissos com nossos netos e genros." Estes, explica o empresário, "terão de se virar". Outra novidade, que também deve entrar em vigor no início de 2013, é a idade máxima para os diretores do grupo – quem completar 60 anos terá de se aposentar.

Joel diz que "metade" do processo de sucessão, iniciado há dois anos, já ocorreu. Ele se refere à gestão do núcleo financeiro (Paraná Banco e seguradoras), que em 2010 respondeu por 50,5% das receitas do grupo, e também ao segmento de energia, um dos que mais crescem. Alexandre, futuro presidente do conglomerado, já lidera as seguradoras, e Cristiano, o segundo filho, assume o banco no ano que vem, possivelmente em abril. A filha Paola, engenheira civil, está sendo preparada para assumir a presidência da JMalucelli Energia, onde hoje é diretora financeira.

Indefinição

As dificuldades, diz Joel, estão "na outra metade". Dela fazem parte dezenas de empresas de pequeno porte, o núcleo de comunicação, a área de locação e revenda de máquinas e equipamentos pesados e a JMalucelli Construtora de Obras – a companhia mais antiga do grupo, criada em 1966. "Minha filha Julia, que está no segundo ano de Engenharia Civil, é estagiária lá e gosta da área, mas ainda é muito nova. Para as outras empresas eu também não consegui achar um caminho. Mas vou trocar ideias com o Alexandre e definir em comum acordo com ele o andamento que daremos."

Apesar do propósito de "estar completamente desvinculado do grupo" depois do ano que vem, o empresário não descarta retardar um pouco a saída. "Em janeiro de 2013 eu quero pegar a família e viajar. Para um lugar bem longe", brinca. "Mas pode ser que eu continue na área de comunicação, que é formada pelas emissoras de tevê e rádio e, desde abril, pelo Metro [jornal gratuito distribuído em Curi­tiba]. Essa área não é tão grande dentro do nosso grupo, mas é hoje a segunda maior rede de comunicação do estado, e merece atenção."

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