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Esporte

De suplementos à China: MMA vira mercado gigante

Academias, lojas de artigos esportivos e suplementos alimentares faturam com popularização das artes marciais

O casal Maria Paula e Carlos Ribeiro: franquia de lojas | Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
O casal Maria Paula e Carlos Ribeiro: franquia de lojas (Foto: Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo)
O atleta Cristiano Marcello virou professor e empresário |

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O atleta Cristiano Marcello virou professor e empresário

O Ultimate Fighting Championship (UFC), maior campeonato de lutas do planeta, desembarca hoje na China para tentar repetir no país mais populoso do mundo o sucesso comercial que conseguiu no Brasil no último ano, desde o primeiro evento realizado no Rio de Janeiro. A difusão do esporte no país vai além da audiência de 20 milhões de espectadores que assistem às lutas do MMA (artes marciais mistas) pela tevê: academias, lojas de artigos esportivos e suplementos alimentares já colhem os frutos da popularização da pancadaria.

De acordo com a consultoria Deloitte, o interesse pelas artes marciais no Brasil deve crescer 16% no Brasil nos próximos anos –o maior crescimento, empatado com o rúgbi – , mas empresários de setores relacionados apontam índices ainda maiores.

Segundo a Associação Brasileira de Nutrição, o consumo de suplementos alimentares aumentou 22% no último ano. O crescimento é confirmado pelo casal de empresários Maria Paula Piccinini e Carlos Ribeiro Júnior, proprietários da Garra Suplementos. Há dez anos a frente da loja, os dois viram na febre pelo esporte a oportunidade de diversificar seus negócios e ampliar a rede.

"O interesse pelo MMA aumenta e com isso cresce a prática esportiva e o consumo dos produtos relacionados ao treino", justifica Maria Paula. De um ano para cá, o casal viu o faturamento engordar 30% e decidiu apostar na venda de artigos esportivos nas lojas, além dos suplementos.

Para ampliar o número de lojas, os dois apostaram no modelo de franquias. "Existe muita gente que conhece este mercado e tem interesse em investir", explica Ribeiro Júnior.

Um dos franqueados, Frederico Gomes, aprova a entrada no negócio. "O mercado é muito crescente e cada vez mais diversificado e o fanatismo é muito grande. Se um atleta usa uma camiseta que temos na vitrine, ela esgota no dia seguinte", afirma. As roupas alusivas aos lutadores já representam 27% das vendas da loja.

Ringue lotado

O exército de "gladiadores do terceiro milênio", como o narrador Galvão Bueno batizou os atletas em uma das transmissões, também cresce na cidade. Para dar conta desta demanda, os próprios lutadores criam suas academias. O lutador do UFC Cristiano Marcello inaugurou sua academia, CM System, em 2009, e viu a sua base de alunos se multiplicar. "Comecei com apenas 15 lutadores matriculados e hoje estou com 300 alunos e outros 40 atletas treinando comigo", afirma.

Recuperação

Principal liga do esporte, UFC é exemplo de retomada comercial

O Ultimate Fighting Championship (UFC) é um exemplo de sucesso comercial. Principal franquia do MMA no mundo, é responsável pela popularização global do esporte e conta com as principais estrelas da luta no momento, como Anderson Silva, Jon Jones e Maurício Shogun.

A marca do torneio, que hoje vale mais US$ 2,5 bilhões, de acordo com seu presidente, Dana White, foi comprada por US$ 2 milhões há pouco mais de dez anos pelos irmãos Frank e Lorenzo Fertitta.

Sem público e renda, os dois empresários passaram 10% das ações e o comando da empresa para o ex-lutador e agente de atletas White tentar alavancar o projeto. O modelo de negócios implementado pelo agente foi estabelecer regras e categorias no campeonato e produzir um reality show como celeiro de novos lutadores para disputar os campeonatos da marca, o The Ultimate Fighter (TUF). "A transmissão da tevê aberta e a capacidade deste esporte de criar ídolos instantâneos levou a atenção do público ao MMA e a capacidade de levar patrocínios milionários às lutas", afirma Fernando Ferreira, diretor da Pluri Consultoria, especializada em esportes.

O sucesso levou um fundo de pensão de Abu Dhabi a comprar 10% do negócio em 2010 em uma negociação estimada em US$ 250 milhões. Oficialmente, no entanto, os valores não foram divulgados.

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