
A presidente Dilma Rousseff deve assinar na próxima segunda-feira (19), na Espanha, um documento que abrirá caminho para que jovens espanhóis qualificados venham trabalhar no Brasil. Ainda não está certo se este será um tratado definitivo ou um protocolo de intenções. A medida é mais um passo dentro da estratégia do governo federal de criar uma nova política migratória com regras condizentes com os cenários doméstico e internacional do século XXI. Em vigor há pouco mais de três décadas, o Estatuto do Estrangeiro é considerado anacrônico pelo governo. O relatório com o novo desenho para essas normas está sendo coordenado pela Secretaria de Assuntos Especiais (SAE) da Presidência da República e deve ser apresentado à presidente em janeiro de 2013. A ideia do Executivo é faciliar o acesso de trabalhadores estrangeiros qualificados ao mercado brasileiro. Atualmente, apenas os cidadãos do Mercosul contam com facilidades para entrar no Brasil. "Os imigrantes são importantes para o Brasil. É a mais eficiente maneira de transferência de tecnologia. Em 1900, o país contava com 7% de imigrantes entre a sua população economicamente ativa, hoje eles não passam de 0,4%", disse o ministro da SAE, Moreira Franco. O documento que será firmado com a Espanha pode ser o primeiro de muitos e está na agenda do encontro de Dilma com o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy. O governo não descarta, na sequência, entendimento semelhante com Portugal, por exemplo. A escolha está na afinidade que o Brasil tem com o país. Além disso, o documento pode oferecer aos jovens espanhóis oportunidades que hoje não encontram em seu país, devido à crise econômica. Uma das nações mais atingidas pelas turbulências externas, a Espanha tem hoje um índice de 50% de desemprego entre a população jovem. Há uma comissão liderada pela SAE encarregada de montar minucioso diagnóstico sobre a imigração de estrangeiros no Brasil. A comissão analisa a relevância da imigração para o país e sua importância na força de trabalho.



