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Mercados

Discurso nos EUA anima bolsas em todo o mundo

SÃO PAULO – A euforia tomou conta do mercado financeiro ontem com o discurso do presidente do Fed (banco central norte-americano), Ben Bernanke, no Senado norte-americano. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 4,71%, com 36.785 pontos, na máxima pontuação do dia. Com esse resultado, a Bolsa saiu do vermelho este mês e passou a acumular alta de 0,42% em julho. Em 2006, o índice subiu 9,95%. O giro financeiro ontem ficou em R$ 2,354 bilhões.

O movimento foi puxado pelo desempenho das bolsas de Nova York, que ontem registraram suas maiores altas em três semanas. O índice Dow Jones – que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York – fechou em alta de 1,96%. Foi a segunda maior alta em pontos do ano (ele havia subido 217 pontos no dia 29 de junho, data da última reunião do Fed). Já o indicador da Nasdaq – que mede o desempenho das ações do setor de tecnologia e internet – avançou 1,83%. As bolsas européias também tiveram um dia positivo. Dentre os latinos, além do Brasil, as Bolsas do México e da Argentina se beneficiaram da melhora do humor do mercado, com altas de 5,22% e de 3,08%, respectivamente.

O mercado interno ainda contou com fatores domésticos positivos, como a expectativa – confirmada horas depois – de que o Comitê de Política Monetária (Copom) iria reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 0,5 ponto porcentual (leia matéria abaixo).

O Banco Central voltou a atuar no mercado cambial comprando dólares para conter a depreciação da moeda norte-americana frente ao real. O BC aceitou 17 propostas (de 12 bancos) no leilão de compra de dólar, em que pagou taxa de corte de R$ 2,1790. Na operação foram apresentadas 23 propostas com taxas de R$ 2,1760 a R$ 2,1800. No encerramento do dia, o dólar foi cotado a R$ 2,1770, em baixa de 0,73%.

As declarações de Bernanke de que a desaceleração no ritmo da atividade econômica "está ocorrendo", o que poderá "ajudar a limitar a pressão inflacionária ao longo do tempo", levaram os mercados a avaliar que o Fed conta com crescimento menor para reduzir a pressão sobre os preços. Isso pode conter a alta de juros nos EUA – um cenário que favorece economias do mundo todo.

Quando os juros dos EUA sobem muito, os grandes investidores internacionais abandonam aplicações em mercados como o brasileiro para buscar menores riscos – os treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) estão entre os refúgios favoritos.

A incerteza sobre o final do ciclo de altas da taxa provocou um grande movimento de fuga de estrangeiros nos últimos dois meses, com queda da Bovespa e valorização do dólar ante o real.

As declarações de Bernanke neutralizaram o recado negativo do índice de inflação ao consumidor (CPI) de junho, divulgado também ontem. O índice cheio subiu 0,2%, em linha com as previsões, mas o seu núcleo, que exclui os preços de energia e alimentos, subiu 0,3%, acima do 0,2% previsto. A variação anual do núcleo do CPI (2,6%) superou o teto da chamada zona de conforto do Fed, de 2%.

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