
A eleição para a presidência da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que na reta final movimentou os bastidores do sistema empresarial e político do estado, chega ao seu dia decisivo sem candidato favorito. Na noite de ontem, a conta dos candidatos que disputam o controle da entidade revelava um pleito bastante acirrado. Rodrigo da Rocha Loures, atual presidente que busca a reeleição, dizia ter assegurado 2/3 dos votos. Álvaro Luiz Scheffer, da chapa de oposição, esperava contar com o apoio de 53 dos 94 sindicatos com direito a voto.
Nem mesmo no domingo, Dia dos Pais, o pelotão de guerra promovido pelos dois grupos recuou. Enquanto o grupo Identidade Sindical, do ponta-grossense Álvaro Scheffer mobilizava sua equipe para confirmar os votos dos dirigentes sindicais que começavam a chegar na capital para o pleito de hoje, os assessores da Afirmação Empresarial distribuíam nota à imprensa acusando o governo do estado de "constranger e intimidar os delegados eleitores que deverão comparecer às eleições marcadas para esta segunda-feira", em favor do candidato de oposição.
Rocha Loures, que teve o apoio do governador na sua primeira eleição, reafirmou ontem o "compromisso com a ética, transparência e profissionalismo" à frente do que chamou de "gerenciamento técnico" da Fiep. Álvaro Scheffer comemorava o que definiu de um "feito histórico", que é ter uma oposição na disputa da Federação das Indústrias com as mesmas chances de vitória da chapa liderada pela situação. Na sua avaliação, um fato que legitima a dissidência verificada no atual mandato, e que agora pode assumir a presidência. Sobre o apoio declarado pelo governador Roberto Requião, Scheffer explica que a manifestação é "extremamente importante", mas com uma ressalva: "não é apoio à Federação, mas à indústria paranaense."
A disputa pelo controle da entidade, no entanto, vai além da questão política. O escolhido pelos industriais vai administrar uma verba superior a R$ 200 milhões. Segundo Rocha Loures, o orçamento do Sistema Fiep é de R$ 220 milhões. Desses, R$ 13 milhões seriam da Fiep e o restante do Sesi (Serviço Social da Indústria), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e IEL (Instituto Euvaldo Lodi). As instituições, apesar de serem presididas pelo titular da Fiep, teriam autonomia na gestão dos recursos. Álvaro Scheffer acredita que o orçamento total do sistema fique próximo de R$ 240 milhões.
O pleito de logo mais também acende uma discussão sobre interior e capital, apesar de as duas chapas terem entre seus integrantes empresarios de Curitiba e de outras regiões do estado. A relação é incitada pelo fato de Rocha Loures, fundador da Nutrimental, ser radicado em Curitiba, e seu opositor morar em Ponta Grossa, onde dirige o Grupo ASA, que reúne as indústrias Águia Química, Florestal e Sistemas de Armazenagem.
A eleição
A votação ocorre das 12 às 18 horas de hoje, na sede da Fiep no Centro Cívico (Avenida Cândido de Abreu). A contagem dos votos tem início uma hora após o fim da votação. O resultado será divulgado ainda hoje, por volta das 21 horas. O vencedor assume a Federação no dia 1.º de outubro, para um mandato de quatro anos.



