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Câmbio

Dólar cai 1% ante real com extensão de programa de hedge cambial

O dólar interrompeu nesta quinta-feira (5) série de quatro altas e fechou em queda de mais de 1% ante o real, após o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, anunciar que o programa de intervenções diárias no câmbio será estendido com ajustes. A moeda norte-americana recuou 1,24%, a R$ 2,3594 na venda, após atingir na mínima R$ 2,3539. É a maior queda para a divisa desde 18 de novembro, quando perdeu 2,3%. Segundo dados da BM&F, o volume de negociação foi de cerca de 1,3 bilhão de dólares.

"Quando o BC disse que não vai sair do mercado, todo mundo assumiu que, já que vai ter oferta, não precisa se preocupar tanto com o câmbio", disse o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos. "Esse movimento deve durar até o fim da sessão de hoje, mas a partir daí o fator internacional volta a ser predominante".

Tombini afirmou nesta quinta-feira que o programa de atuações diárias do BC no câmbio será estendido no futuro, "com alguns ajustes". Atualmente, a autoridade monetária intervém nos mercados diariamente por meio de leilões de swap cambial tradicional --equivalentes à venda futura de dólar-- e ofertas de dólares com compromisso de recompra.

Como parte deste programa, o BC brasileiro vendeu mais cedo 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 2 de junho de 2014. Contratos com vencimento em 5 de março também foram ofertados mas não foram vendidos. O volume financeiro da operação foi de 495,9 milhões de dólares.

Quando anunciou o programa, em agosto, o BC havia informado que as rações diárias se estenderiam pelo menos até o fim do ano. Na ocasião, o dólar era negociado em torno de 2,45 reais.

Na quarta-feira, a moeda norte-americana fechou com alta de 0,42 por cento, em 2,3890 reais, a maior cotação de fechamento desde o anúncio do programa.

Analistas já vinham questionando o destino do programa de intervenções há algumas semanas uma vez que, mesmo com as intervenções do BC, o dólar acumula alta de mais de 9 por cento desde os 2,1593 reais atingidos em meados de outubro -- o nível mais baixo desde a implementação do programa de intervenções diárias.

No entanto, o anúncio desta quinta-feira não sanou todas essas dúvidas. "Eu não sei o que o BC quer dizer com ajuste. Essa é uma grande dúvida, porque a gente vai atravessar uma época de bastante turbulência no câmbio, e faria sentido o BC atuar para conter a volatilidade", afirmou o gerente de câmbio da BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

Ele acredita que a autoridade monetária deve eliminar do programa os leilões de linha, mas manter os swaps cambiais. Carvalho acredita que a turbulência cambial deve crescer devido à perspectiva de corte no programa de compra de títulos dos Federal Reserve, banco central dos EUA, que injeta mensalmente 85 bilhões de dólares na economia. Integrantes do Fed já vêm sinalizando há tempos que o início do processo de retirada de estímulo está no horizonte, motivando valorização global da divisa norte-americana.

Nesta sessão, a queda do dólar foi influenciada também por um movimento de correção após as fortes altas recentes. Nos últimos quatro pregões, a divisa havia acumulado ganho de 3 por cento ante o real. "O mercado subiu muito nos últimos dias devido à aversão ao risco e, agora, está se ajustando um pouco", disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

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