O dólar seguiu o comportamento tímido do mercado internacional e ficou praticamente estável nesta terça-feira, com leve baixa.
A moeda norte-americana teve variação negativa de 0,06 por cento, para 1,758 real. No mês, o dólar acumula baixa de 1,29 por cento e, no ano, alta de 0,86 por cento.
Com a ligeira baixa desta sessão, o dólar acumula dez quedas em onze dias, abandonando o patamar de 1,83 real para quase 1,75 real --nível semelhante ao visto em janeiro.
Nesta terça-feira, a ausência de uma indicação clara no exterior tirou o ímpeto do mercado interno, que hesita em romper o nível de 1,75 real, e manteve o dólar ao redor da estabilidade, com poucas oscilações.
Enquanto as operações paravam no Brasil, o dólar tinha leve baixa de 0,09 por cento em relação a uma cesta com as principais divisas, e o euro subia apenas 0,1 por cento em um dia de poucos indicadores.
O volume de operações na clearing (câmara de compensação) da BM&FBovespa era de cerca de 2 bilhões de dólares, segundo dados parciais, ante pouco mais de 3 bilhões no dia anterior. O número anteriormente divulgado sobre segunda-feira, de pouco mais de 6 bilhões de dólares, estava errado por problemas técnicos na própria clearing.
Profissionais de mercado têm identificado que a maior parte das operações no mercado à vista não tem tido relação direta nos últimos dias com entradas ou saídas pontuais de moeda estrangeira, e sim com as chamadas "operações de giro" por tesourarias de bancos.
"Movimentos deste tipo podem ser indicativos de ações pontuais dos bancos no sentido de induzirem a tendência do preço da moeda americana, que assim deixa de repercutir diretamente o comportamento do fluxo cambial", escreveu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.
As instituições financeiras tinham 4,729 bilhões de dólares em posições vendidas (a favor da queda da moeda norte-americana) na terça-feira nos mercados de dólar futuro e de cupom cambial, segundo a BM&FBovespa. Os estrangeiros também estavam vendidos, em 2,155 bilhões de dólares.
Mas há uma resistência natural para que o dólar rompa o patamar de 1,75 real. Abaixo desse patamar, afirma Nehme, aumenta o risco para as posições vendidas dos agentes, que teriam menos espaço para trabalhar pela apreciação do real.
João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pioneer, aponta ainda que a situação da Grécia pode trazer surpresas para o mercado, renovando o mau humor que desde o começo do ano tem trazido volatilidade.
A percepção sobre o fluxo, porém, permanece positiva no curto prazo por causa de ofertas de ações e emissões de dívida, embora abril seja um mês propício à remessa de dividendos para o exterior, como lembrou o gerente de câmbio de um banco nacional, que preferiu não ser identificado.



