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 | Marcos Oliveira/Agência Senado
| Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A nota divulgada pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na terça-feira (19), véspera da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros bagunçou o mercado de juros futuros.

As taxas, que indicam a percepção de risco sobre a economia brasileira, operam em direções distintas desde a tarde de terça. Enquanto as de curto prazo registram queda, causada pela percepção de que o BC vai optar por um ritmo mais leve de alta da Selic, os juros de longo prazo têm forte alta.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou nesta semana a projeção de contração do PIB brasileiro em 2016, de 1,0% para 3,5%. Após a divulgação,Tombini publicou no site do BC uma nota na qual afirma que as revisões foram “significativas” e que “todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado.”

Assim que saiu a nota, as projeções de mercado em suas operações passaram a apontar para a possibilidade de a taxa Selic subir de 14,25% para 14,50% ou ficar estável nesta quarta. A expectativa até segunda era de aumento de juros para 14,75%.

A mudança nas projeções do mercado influencia diretamente as taxas de juros no mercado futuro. Na tarde desta quarta, os juros para fevereiro de 2016 caíam para 14,35%, ante 14,379% um dia antes. As taxas para janeiro de 2017 também registravam queda, para 15,29%.

Mas a expectativa de que o BC não priorize o combate à alta da inflação como se esperava, subindo menos os juros para não prejudicar ainda mais o crescimento econômico, faz com que o mercado preveja que a Selic terá de subir mais à frente, compensando o ritmo mais ameno no curto prazo. Com isso, as taxas de longo prazo sobem.

Os juros para janeiro de 2019 subiam 0,26 ponto percentual nesta quarta, para 16,93%. As taxas para janeiro de 2021 também registravam alta, para 16,86%.

“Quando o BC deixa de aumentar a taxa de juros da forma como o mercado esperava, sinaliza que não vai combater inflação como se esperava”, afirma Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners. “Isso significa que a inflação vai cair de forma mais amena e você vai precisar de juros mais altos no futuro.”

De acordo com ele, a alta nas taxas de juros de médio e longo prazo sinaliza que o mercado não acredita, hoje, que a inflação vá convergir para o centro da meta (4,5%) em 2017, como prevê o governo.

A elevação dos juros futuros aumenta os custos de financiamento de longo prazo no país e desestimula investimentos. Isso porque, para investir, as empresas terão de enxergar um retorno maior do que as altas taxas de juros pagas pelo mercado de renda fixa.

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